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PATAGÔNIA
CHILENA

Se o seu objeto de desejo inclui uma viagem de pesca para a
Patagônia chilena, veja como foi esta:
Por:
LF Pinheiro
A viagem partindo de São
Paulo com destino à Puerto Varas, no Chile, ocorreu tranqüila e as escalas
em Santiago e Puerto Montt não constituíram aborrecimento e aconteceram
dentro dos horários previamente estabelecidos, com pequenos atrasos.
Há anos eu esperava por
essa pescaria e trazia na bagagem, além do equipamento necessário, a
experiência de muitas idas à Patagônia argentina. Contudo, agora o objetivo
era capturar salmonídeos com tamanho e variedade maiores que os encontrados
no país vizinho. A pescaria incluía filmagens para um programa da TV chilena
e tomadas para elaboração de um vídeo promocional de pesca para os
organizadores.
Na manhã seguinte o
roteiro de pesca incluía os três trechos do rio Petrohue, cada um deles com
características bastante distintas. O primeiro trecho de rio é de águas
rápidas e o bote de borracha é conduzido pelo flyfisher Ricardo Vasquez,
exímio remador e campeão chileno na categoria classe V – a mais difícil
delas. Apesar da velocidade das águas o bote parece navegar por um lago de
águas tranqüilas, graças à condução do Ricardo. Durante quase todo o trajeto
de descida o exuberante cenário e adornado pela imagem do vulcão Osorno, com
o cume coberto de neve, em contraste com o céu de azul profundo.
As capturas de trutas
arco-íris aconteciam a todo instante, mostrando que o Petrohue é muito
piscoso e que a qualquer momento o troféu poderá aparecer. Paramos para o
almoço e enquanto os companheiros preparavam a refeição, resolvi dar uns
pinchos numa enseada próxima e ouvi de um deles que devido ao barulho que
fizemos ao aportar naquele lugar não deveria ter peixes ali. Mesmo assim
lancei a mosca junto a um tronco na margem oposta e ao fazer o trabalho de
atração, o peixe atacou a isca e percebi que era de bom tamanho. Foi um
corre geral, com a equipe de TV ligando câmeras e um dos guias trouxe um
passaguá, que de tão grande me cabia dentro, para conter o Coho, ou salmão
prateado - Oncorhynchus kisutch – que acabava de ser capturado para alegria
de todos. O restante do dia transcorreu normalmente com aproximadamente
outras vinte capturas de trutas arco-íris e marrons com peso médio de 1 ½
kg.
O
dia seguinte amanheceu bem claro e já bastante frio, anunciando a chegada do
outono na Patagônia chilena. Após o farto ‘desayuno’ e feita a revisão no
equipamento rumamos de caminhonete para os rios Manso e Puelo, localizados a
180 kms ao sul de Puerto Varas, nossa base. Três horas depois de vencer o
trajeto por estrada de montanha chegamos ao porto no lago Tagua-Tagua, onde
uma lancha nos esperava para nos levar ao Rio Puelo Lodge, de estilo
vitoriano e localizado às margens do lago e próximo ao ponto onde o rio
Puelo deságua.
Este trecho do rio Puelo
se caracteriza pela existência de muita estrutura abaixo e acima das suas
águas na cor verde esmeralda, composta por troncos, galhos e pedras. O guia
Marcelo ficou comigo o dia todo e mostrou ser conhecedor de cada palmo do
rio e onde dizia que havia uma truta, era só conferir. Ao final do dia
contabilizamos mais de trinta exemplares de trutas arco íris e marrons, com
peso médio de 1 kg e a necessidade do uso de muita técnica nos arremessos.
Durante o jantar ficou
estabelecido que iríamos pescar no rio Manso e na manhã seguinte partimos
sob frio intenso – 0° C de temperatura e sensação térmica de -6° C - para
mais um dia de grande alegrias, num cenário maravilhoso e num rio de águas
claras e realmente calmas. Essa condição de água exige aproximação cautelosa
e arremessos precisos porque ficamos expostos à visão das trutas, e foi numa
bobeada que uma marrom grande me viu primeiro e saiu nadando calmamente rio
abaixo. Outra vez, Marcelo e eu havíamos capturado mais de trinta exemplares
depois de um dia “duro de trabalho” no rio Manso.
Enquanto saboreava a
sobremesa após um jantar magnífico, disse ao Marcelo que estava tudo muito
bom, mas o desejo de capturar um troféu não havia sido realizado. É ai que
ouço palavras que soaram como música da melhor qualidade aos meus ouvidos:
Amanhã pela manhã poderemos tentar uma Fario grande (nome antigo das trutas
marrons ainda usado pelos guias chilenos) na saída do lago Tagua-Tagua, e a
mais ou menos 1.500 m rio abaixo, tem um paredão onde o leito é profundo.
Quase engasguei com a sobremesa e perguntei: A que horas saímos? E junto
com a resposta que seria bem cedo veio também a recomendação para atarmos um
modelo de mosca que funciona bem naquele lugar. E na sala de atar do lodge
fizemos três moscas de acordo com a receita pessoal do Marcelo.
Antes de dormir revisei
todo o equipamento, preparei líderes novos e nós selados, para não ser pego
de surpresa no caso do troféu dar as caras. Foi uma noite longa e a cada
hora eu acordava e olhava o relógio com medo de dormir e atrasar, porque
para esta manhã não estava prevista pescaria, pois retornaríamos a Puerto
Varas, logo após o almoço. Porém, decidimos dar uma ‘esticada” na
programação e bem cedo sob frio intenso atravessamos o Tagua-Tagua em
direção a desembocadura. Só havia a pontinha do nariz estava sem proteção,
mas a impressão era de que se desse nela um peteleco, cairia fora. Nos
aproximamos do ponto mencionado pelo Marcelo e pelas características do
lugar optei pelo uso de linha shooting com razão de afundamento #4 e os
arremessos foram se sucedendo. As horas passavam ‘voando’ e a cada pincho o
momento de voltar para o lodge ficava mais perto e nada, nenhuma ação para
animar um pouco a situação e diminuir a ansiedade.
Quando ouvi o Marcelo
dizer que estava na hora de retornar, insisti em fazer mais um arremesso e
pedi para que ele pusesse o barco na paralela com o paredão, e deixei a
linha afundar até chegar ao fundo. Ao recolher um pouquinho de linha senti
um tranco que quase leva a vara das minhas mãos, fisguei forte e o peixe dá
uma arrancada sensacional na direção do canal do rio. Inclino a vara em 45°
e simultaneamente a levanto para tirar a truta da trajetória, enquanto o
Marcelo tira o barco do paredão e o coloca no meio do canal. A “égua”
dispara novamente e a carretilha canta bonito liberando linha e fazendo a
vara envergar até quase ficar com a ponta dentro d’água, e sinto no coração
que venceria esta luta. A truta dá uma parada, como se estivesse tomando um
fôlego e em seguida dispara novamente, desta vez rio abaixo e em grande
velocidade fazendo a carretilha emitir aquele som maravilhoso que somente os flyfishers sabem identificar perfeitamente. A truta faz outra parada para
descansar e as corridas seguintes vão ficando cada vez mais curtas, até que
o Marcelo a coloca dentro do passaguá. A trutona pesa entre quatro e cinco
kgs, de acordo com o guia, que sorri abertamente contemplando o troféu em
minhas mãos, que está sendo fotografado para em seguida ser devolvido ao rio
Puelo.
O percurso de volta ao
lodge foi feito sob vento forte que levantava ondas com água muito gelada,
mas nossos corações estavam quentes com o resultado da pescaria, afinal
havíamos capturado o almejado troféu. Pergunto ao Marcelo qual é o nome da
mosca feita por ele, com a qual capturamos a truta marrom e ele responde que
não tinha nome. Pensei um pouco e disse à ele que a partir de agora o nome
da mosca seria Fario Lillo, pois Lillo é o sobrenome dele. E ao chegar no
lodge mostrávamos as fotos para todos em meio muita alegria pelo resultado
alcançado.
A temporada de pesca no
Chile começa no início de novembro e vai até o final de abril de cada ano.
Há lugares onde se pode pescar com iscas artificiais e outros reservados
somente para fly. A maioria dos lodges possuem equipamento completo para
alugar e as reservas devem ser feitas com no mínimo um mês de antecedência e
devidamente confirmadas, via fax ou e-mail.
Melhores períodos para pesca:
-
Arco- íris, marrom e
coho: novembro a abril
-
Salmão King: fevereiro a
abril
-
Steelhead: março a abril
-
Sea run macho e fêmea:
novembro a abril
Para ver a receita da
mosca
clique aqui!
Mais informações pelo e-mail:
faleconosco@flyfishing.com.br |