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MALÁRIA AINDA MATA NO PAÍS

Por: LF Pinheiro

Depois do pico de 98/99 os casos de malária diminuem na região amazônica, no entanto, o enchimento de lagos de hidrelétricas eleva a população do mosquito transmissor e o risco de novos focos.

No Pará, mais precisamente na região da capital Belém, a incidência de malária tem características de epidemia, ignorada pelo governo federal.

O estado mais rico da União, São Paulo, também não está livre do mal.

Mosquito Transmissor de Malária

A malária é uma doença transmitida por mosquitos que teve 389 mil casos no Brasil no ano passado e provocou 101 mortes.

Apesar de praticamente esquecida – e ignorada pelo governo federal - em boa parte do Brasil, a malária continua presente e é uma das doenças que mais mata no mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, ocorreram cerca de 273 milhões de casos de malária no mundo em 2001, que causaram 1,09 milhão de mortes, individualmente ou em combinação com outras doenças. A maior parte das mortes é de crianças com menos de cinco anos.

No entanto, Robert Snow, o chefe de pesquisa da Wellcome Trust, instituição de pesqui-sa na Grã-Bretanha, baseado no Quênia, disse que “No Brasil, analisamos dados especi-ficamente no Estado de Rondônia, e constatamos que há três vezes mais casos de malária do que a OMS e as autoridades brasileiras apontam. A pesquisa mostrou que o plasmódio falciparum (o mais grave) da malária infectou 515 milhões de pessoas em todo o mundo em 2002, e não 300 milhões como diz a OMS”.

Três tipos de malária
Plasmodium Falciparum

Também conhecida no Brasil como maleita ou paludismo, a malária é provocada por um orga- nismo de apenas uma célula, o Plasmodium ou plasmódio. No Brasil há três espécies de Plasmo-dium: P. vivax, P. malaria e P. falciparum, este últi- mo responsável pela forma mais grave da doen- ça, que pode até causar a morte, devido ao blo-queio de vasos sangüíneos no cérebro ou por danos a outros órgãos vitais. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 20% dos casos de malária no Brasil são causados pelo P. falciparum.

Não existe vacina para a malária e uma pessoa pode pegar a doença dezenas de vezes. O mosquito contamina-se ao picar um doente e então passa a transmitir a doença (só a fêmea pica). A contaminação também pode acontecer pelo uso de seringas infectadas, transfusão de sangue ou da mãe para o bebê, no momento do parto. Após a contamina- ção, os sintomas aparecem em 7 a 15 dias.

Risco em Porto Primavera

Anopheles Darlingi

Em São Paulo, a usina hidrelétrica Sérgio Motta, mais conhecida como Porto Primavera, no rio Paraná re- gião oeste do estado, modificou recentemente a po-pulação de mosquitos transmissores. A construção do reservatório de 2.250 km² propiciou o aumento da presença de criadouros dos mosquitos da região, entre eles o Anopheles darlingi, transmissor da malária.
"O próprio lago da barragem não costuma ser um criadouro", explica Rosa Maria Tubaki, pesquisadora científica da Sucen, "a questão principal são os afluentes, onde a elevação do nível da água cria novos remansos, propícios para os mosquitos." Segundo ela, o Anopheles se reproduz em água não-poluída, parada e à sombra.

Cuidados para quem vai viajar

Quem faz turismo para regiões onde existe malária deve se precaver para não pegar a doença, presente de forma endêmica (?) na Amazônia Legal, e em cerca de 100 países da América do Sul, América Central, África e Oceania.

Distribuição Geográfica da Malária

De acordo com a Doutora Marise Oliveira Fonseca, coordenadora do Núcleo de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, devem-se tomar os seguintes cuidados para evitar a malária:

- Evitar o horário em que o inseto se alimenta, desde o entardecer até o amanhecer.

- Usar repelente e reaplicá-lo a cada quatro horas.

- Usar roupas claras (o Anopheles tem atração por cores escuras).

- Usar sempre calças compridas e blusas de manga comprida, deixando o mínimo de pele exposta.

- Usar mosquiteiro para dormir.

Flyfishers, o melhor procedimento para evitar a contaminação é não visitar as áreas de risco.