Voltar ao início!

 
   
BUSCA DIRETA
Dicas
Memórias
Novidades
Opinião
Pescarias
Técnicas
Turismo
Informações

Receitas para Atar

Humor

Fotos

Colaboradores

 

UM PRÊMIO EM BARILOCHE
Novembro de 1998

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro
 

A viagem à Bariloche tinha três objetivos: fazer uma pescaria de trutas com a recém lançada vara # 0, fabricada pela Sage, cobrir jornalisticamente o IV Congresso de Pesca Esportiva e Manejo de Salmonídeos e, prestar exame para instrutor de Fly Casting pela Escola Internacional de Mel Krieger, Iigada a Federation of Fly Fishers.

No ano anterior eu já havia participando do evento, também a convite da Emprotur e da Secretaria de Turismo de Bariloche, e na ocasião fiz um curso avançado de fly com Mel Krieger. Agora, era chegada a hora de saber se oito anos de estudos e prática com fly seriam suficientes para possibilitar minha habilitação internacional. Durante todos esses anos de prática com fly, não poupei tempo e dinheiro para adquirir conhecimentos, estudando e treinando praticamente todos os dias. Assim, eu me sentia apto para fazer os testes – teórico e prático – que pela primeira vez seriam aplicados na América do Sul. Quase todos os guias e instrutores da Argentina estavam ali, gente com até 30 anos de experiência em fly. Entre mais de quarenta inscritos estavam verdadeiras “feras”, como Baruzzi, Riccigliano, San Martin, Tornillo e o chileno “Pancho” e todos com o objetivo de obter o certificado.

Hotel Tunkellen - Barilhoche

No final da tarde de sexta-feira fomos levados à uma sala do majestoso hotel Tunkellen para o exame teórico. O clima era tenso e o ar estava pesado e, por mais que quisessem disfarçar, todos estavam apreensivos, uns mais (eu nessa turma) e outros menos. Foi ai que ocorreu uma coisa inédita em minha vida: fui intimidado por um pacth.

Na sala estavam Fernando e Ignácio, da diretoria da Associação Argentina de Pesca com Mosca, e ostentavam no peito – literalmente – um patch da Escola de Mel Krieger. Deduzi então que eles, além do próprio Mel e Pablo Mazza (tradutor do inglês para espanhol) seriam nossos examinadores (ou algozes?). E imaginar que poderia voltar ao Brasil reprovado me fez tremer, pois a visão daquele pacth havia despertado insegurança em mim. Vou para um cantinho na sala e faço uma oração rápida pedindo a Deus que me abençoasse, e ao apanhar as folhas da prova uma calma imensa tomou conta de mim. O teste tinha ao todo 36 questões em espanhol e seriam necessárias 30 respostas corretas, no mínimo, para seguir adiante. Duas horas depois, fui o primeiro da classe a entregar a prova nas mãos do Fernando, aquele do pacth no peito. Sai da sala alegre e com a certeza que havia passado na prova teórica. Agora restava o exame prático.

Na manhã seguinte estávamos todos na mesma sala para saber o resultado da avaliação e pergunta por pergunta a prova foi sendo respondida pelos dirigentes. No transcorrer, constata-se que cinco questões deveriam ser anuladas (eu apontei duas perguntas erradas) pois foram mal traduzidas do inglês para o espanhol, dificultando o entendimento do grupo. Como eu errei só três perguntas fui aprovado e estava capacitado para o exame prático. Os meus joelhos tremiam tanto que se podia ouvir o barulho há cinqüenta metros de distância.

Mel Krieger e classe para instrutores

Em seguida saímos para um gramado nas proximidades do hotel, onde Mel Krieger nos mostrou os oito tipos de arremessos – e suas variações – que seriam exigidos no teste prático. Duas raias para arremessos foram então montadas, uma com Mel e Guilhermo Riccigliano e outra com Fernando e Ignácio (aqueles de patch no peito) e eu por precaução, fiquei na raia de Mel.

LF aprovado no teste de arremesso

Enquanto aguardava minha vez, pude perceber que todos estavam menos tensos, embora não totalmente relaxados. Dos oito arremessos do exame, o de número cinco é o tailing loop, que na verdade é um erro comum praticado pelos iniciantes na prática do fly e, uma vez corrigido dificilmente voltasse a fazê-lo.

Quando chegou minha vez, foi exatamente ai que empaquei. Ao perceber minha dificuldade em fazer o arremesso, Mel chama Raul San Martin e pede-lhe para me ajudar e ato contínuo, Raul me lembra da parada brusca na vara. Ainda na raia de testes executo o tailing loop três vezes e sou aprovado.
Na seqüência Mel me explica que tão importante quanto saber fazer o arremesso certo é também saber fazer o errado, para que o aluno possa aprender vendo o instrutor fazer os dois.

LF recebendo o patch de instrutor

No final do dia, na sala do hotel, ao receber meu certificado, e um pacth igualzinho ao do Fernando e Ignácio, agradeci a Deus por haver me dado essa oportunidade. Afinal, só 45% da classe havia sido aprovada nos exames e eu o primeiro brasileiro a receber o credenciamento internacional.

Mel Krieger e classe para instrutores

No dia seguinte fui convidado por Mel Krieger para fazer parte do grupo de instrutores para os cursos de iniciantes e avançados, para uma turma com mais de setenta alunos. Desde então, tenho sido convocado pelo mestre Mel para compor o seu grupo de instrutores. Mais que um privilégio isso é uma grande honra para mim.