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DE VOLTA AO
PASSADO
Textos
e Fotos:
LF Pinheiro
Quando comecei a me interessar pelo Flyfishing, no final da década em
1980, li muito a respeito sobre varas de bambu, mas não me interessei em
possuir uma. Creio que a causa disso foi por, na época, praticar o
baiting cast com equipamento de última geração e encontrar nos
equipamentos para Flyfishing a mesma tecnologia de ponta.
Muitos anos depois os fornecedores de varas de bambu começam a
estimular o uso, tentando a “popularização” do produto, talvez em
decorrência da formação de centenas de milhares de novos flyfishers em
todo o mundo, a partir do “boom” que aconteceu em 1999.
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Atento a este fato,
reinicio o estudo a respeito das varas de bambu e vou em busca de
uma que possa, pelo menos, se equiparar a minha PA # 3 Thomas&Thomas
que tem me proporcionado muitas alegrias ao longo desses anos,
principalmente no rio Aiuruoca, em Itamonte/MG. |
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A oferta
é grande em todo o mundo e há casos em que a espera pode chegar até
a quatro anos, além da oscilação incrível dos preços. Em 2004 o
Gregório – mestre em atar moscas - me comunica que estava faazendo
estudos e pesquisas para iniciar a produção artesanal de varas de
bambu e como eu o conheço há mais de 20 anos fiz minha reserva e
fiquei aguardando. No segundo semestre de 2006 o Lê telefona e diz
que a vara ficou pronta, e de acordo com meu pedido. Ansioso, fui
buscar a preciosidade e não me decepcionei com a apresentação
esmerada do produto e, ato contínuo fui dar uns pinchos no gramado
para sentir a resposta da minha primeira vara de bambu. |
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Umas duas horas
depois resolvi que a estréia deveria ser no Aiuruoca, onde ministro
os cursos de Flyfishing e foi lá aprendi a pescar trutas selvagens
em rio de montanha. Neste ínterim providenciei um tubo para proteger
devidamente a jóia e com isso evitar dissabores. |
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O momento é chegado para a estréia da vara de bambu # 3, 7’.6’’ – 3
partes – modelo Quilquihue*, equipada com carretilha Lamson nº 2
(que guardo há mais de quinze anos) e a linha Sylk DT, fabricada
pela Cortland. De acordo com informação obtida junto ao proprietário
da pousada Fragária, há mais de quinze dias não aparece ninguém para
pescar naquele trecho do rio. |
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O relógio marca 16h
e 40 m e a água do rio Aiuruoca está cristalina e na altura e
temperatura exatas, além disso, a pressão atmosférica é perfeita, ou
seja, tudo conspira para que aconteça uma grande pescaria. |
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Observo
a atividade de insetos na margem esquerda onde me posicionei
enquanto monto o equipamento. Bem na minha frente uma Caddys fly
alça vôo e ali estava a escolha para começar a pescaria ansiosamente
aguardada: Elk hair caddys, atada em anzol sem farpa #14.
Bastou meia
dúzia de arremessos para que a primeira truta, e de bom tamanho
para o local, entrasse com vontade na mosca. Toda a atenção
estava voltada para o comportamento da vara de bambu que dava
mostras de agir como se já tivesse sido treinada para situações
como aquela, com muito boa resposta nos arremessos, na fisgada e
trabalho em segurar a truta que lutava para se livrar do aperto
em que se enfiara. O peixe com aproximadamente meio quilo salta
várias vezes procurando se livrar do anzol, ora entrando na
correnteza, ora buscando a parte mais profunda do rio.
De imediato pude
perceber que tinha em mãos uma vara que responde muito bem aos
comandos e que apresenta uma sensibilidade incrível, e a
flexibilidade dela faz parecer que o peixe é bem maior do que é
na realidade. Meu cérebro registrou isso e trouxe lembranças da
minha infância, onde ao lado de meu pai, pescava carpas com
varas de bambu feitas por ele. |
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Ao liberar a truta
fui tomado por uma sensação extremamente agradável, um misto de
alegria com recordações de muitas pescarias e de um sonho realizado,
pescar no rio Aiuruoca com vara de bambu “made in Brazil”. |
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Ao cair
das primeiras sombras que sinaliza o fim do dia, desmonto o
equipamento e fico observando a atividade frenética das trutas na
superfície em busca de alimento, e assim poder aprender um pouco
mais sobre elas, pois sei que é preciso ampliar meus conhecimentos e
momentos como esses são raros. A espera pela vara de bambu foi
longa, mas valeu em todos os sentidos e agora ela faz parte da minha
vida.
*Quilquihue é o nome de um rio pequeno que
nasce no lago Lolog e se une ao rio Chimehuin. Fica na cidade de
San Martin de los Andes, na Patagônia argentina. |
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