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MEMÓRIAS DE UM FLYFISHER
Parte II
Por:
LF Pinheiro
Fotos:
LF Pinheiro
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1995 - As fitas de vídeo com Mel Krieger e Doug Swischer contêm ensinamentos muito importantes para minha formação como flyfisher. O estilo e o carisma do Mel, mais a técnica inovadora (Micro Second Wrist) do Doug me ajudaram a compreender melhor os fundamentos do flyfishing. De cara meus arremessos melhoraram muito, tanto em qualidade como no estilo. Estou encomendando outras fitas em nível avançado, e a vara de fly passa a ficar no porta malas, como se fizesse parte do equipamento de segurança da Explorer, pois a cada oportunidade dou uma chegadinha na praça mais próxima para treinar uns pinchos. |
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A cada viagem ao Aiuruoca para pescar trutas, ainda que isso ocorra nos mesmos trechos do rio, descubro novas possibilidades de pesca com fly e isso me encoraja e continuar usando o método. Quando saio para pescar outras espécies já não sinto as mesmas dificuldades que apareciam anteriormente, mas o problema com a linha de fly, no chão ou no fundo do barco está difícil de resolver. Isso está limitando a distância dos meus arremessos, pois de cada dez pinchos, seis enroscam em alguma coisa e até na própria linha. Já tentei forrar o fundo do barco com filó, mas o pano é frágil e rasga-se com facilidade e na metade da manhã já virou um “bolostrô”, além disso, ajuda a prender qualquer coisa que caia no tecido, a mosca, por exemplo. Outra opção é usar uma cestinha presa à cintura, que na verdade é uma tortura, pois tenho que ficar de olho na dita cuja para embocar a linha, e ai erro o arremesso. É preciso colocar a linha bem certinha na cesta, caso contrário, no momento da saída, a linha enrosca-se em si mesma e trava o pincho. O bordão “Toda vez que damos solução para um problema, a própria solução traz no bojo um problema maior” está prevalecendo, mas tenho certeza de que encontrarei solução para o caso. |
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Os entendimentos com os organizadores da Feipesca foram positivos e estarei na feira, para “tirar a temperatura” do mercado e aparar possíveis arestas dos projetos que tenho em mente para explorar comercialmente o segmento de pesca. É uma boa vitrine para concluir a pesquisa de mercado que prevê o lançamento da revista. |
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As fitas de vídeo, em nível avançado, do Mel e do Doug chegaram e após assisti-las pelo menos umas dez vezes, concluo que não sabia nada sobre flyfishing e que o caminho do aprendizado é longo. As idas à pracinha para treinar ficam mais freqüentes a cada semana, e o uso de uma câmera de vídeo está sendo uma verdadeira “mão na roda”, pois posso corrigir meus erros e melhorar meus acertos muito rapidamente. Estou comprando fitas de vídeo aos montões e na próxima remessa virão autores como Gary Borger e Lefty Kreh.
Minhas pescarias estão se diversificando e estou em busca de novos desafios para ampliar meus próprios limites como flyfisher. Espécies como dourado, matrinxã
e tucunaré têm sido os maiores objetivos dessa minha nova fase. Até
por que a pesquisa de mercado para o lançamento da revista foi
favorável e essas pescarias servirão como base e possivelmente como
matéria. |
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Agora, os olhos não são somente os de
pescador, mas também os de jornalista em
busca de informação para a revista que
já tem nome: Pesca Brasil – revista da pesca esportiva. Minha observação do mercado editorial internacional mostra que o segmento de flyfishing está crescendo vigorosamente e isso sinaliza de maneira positiva para que o investimento num novo produto, no caso a revista, seja aprovado.
Em agosto de 1995 a primeira edição da Pesca Brasil é colocada no mercado, com tiragem de 20 mil exemplares e circulação bimestral, visando principalmente o meu público alvo que são os médicos e farmacistas. |
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No rio Aiuruoca constato que é possível melhorar a população de trutas, através de repeixamentos, e isso poderá permitir que o local se torne um pólo de turismo, voltado para a pesca de trutas. Na pousada Fragária, as margens do rio, já tenho um chalé cativo, pois gasto muito tempo pescando e treinando por lá. A cada viagem aprendo um pouco mais sobre flyfishing e trutas e, na literatura internacional encontrei informações sobre ser os rios de montanhas os que mais exigem conhecimento técnico do flyfisher. As fitas de vídeo dos dois Gary, o Borger e o La Fontaine mostram que os caras sabem muito a respeito de rios de montanha, e eu tenho aprendido bastante com os dois.
Como na pousada não tem luz elétrica, não posso levar os vídeos para fazer o assistir-e-praticar e assim aprender mais rápido. Eta ansiedade difícil de controlar. |
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Selecionei dois criadores de trutas da região para comprar regularmente juvenis de truta e soltar no Aiuruoca, já de olho no futuro. Pretendo fazer do rio uma “sala de aula” para a Pesca Brasil Flyfishing School, novo empreendimento que terá o propósito de promover, formar e incentivar a modalidade no país. |
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Ainda é cedo para afirmar que a revista Pesca Brasil é um sucesso, mas as duas primeiras edições provocaram um verdadeiro reboliço no mercado. Os elogios chegam de todos os lados, bem como pedidos de exemplares, que foram poucos para atender a demanda inicial. Outro fato positivo é que não tenho encontrado dificuldade para obter colaboração local e internacional para a revista. Assim, a pauta está garantida.
Se antes eu não precisava de estímulo para ir pescar, agora com a revista o entusiasmo dobrou e vou realizar outro sonho que é pescar na Amazônia, em busca dos tucunarés.
As negociações com os organizadores da Fenapesca, em Riberão Preto – SP avançaram e, na próxima edição irei fazer apresentações de fly casting no Bass Tub, que é um aquário gigante, com 12 metros de comprimento, 3 metros de altura e 2 de largura. É a primeira vez que um flyfisher fará demonstrações de arremessos desse tipo aqui no Brasil. Os catálogos de pesca das principais lojas nos EUA mostram claramente que o fly fiishing está crescendo muito e rápido. Até o ano passado o número de páginas destinadas ao fly era bem menor do que esse ano. Isso mostra que estou no caminho certo, ainda que longo aqui no Brasil. Enviei exemplares da revista para amigos e contatos no exterior e um deles, Paul Mariner, Capitão do time canadense de fly fishing me pergunta por que os brasileiros não participam do campeonato mundial. Acho que ai está mais uma boa idéia para alavancar a modalidade aqui, mas tenho que avaliar os custos e perfil dos integrantes de uma equipe brasileira. |
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Na última viagem ao “rio da minha vida – Aiuruoca” descobri novos trechos de pesca, mas não tão bons quanto ao trecho da pousada. A sensação que tenho é já conheço as trutas daquele pedaço de rio e elas me conhecem. Daqui para frente vou dividir o tempo para descobrir novos lugares e em pescar “na minha sala de estar”. |
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