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MEMÓRIAS DE UM FLYFISHER
Parte III
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro
 

LF agachado nas pedras

1996 - Descobri uma pracinha que tem boa iluminação e posso treinar arremessos à noite, agora posso pinchar todos os dias e melhorar minha técnica. As fitas do Mel e Doug contribuíram grandemente para minha formação como fly fishermen, os restante das informações conseguidas através de outras fitas e revistas também estão sendo importantes, mas não no mesmo nível. Já consigo arremessar – e bem – em lugares no rio Aiuruoca, onde antes eu imaginava ser impossível. E o melhor de tudo é que a cada obstáculo vencido, descubro outras possibilidades de arremessos. Isso me encoraja a buscar novos trechos do rio onde ninguém consegue pescar pela dificuldade de acesso e obstáculos.

O resultado da apresentação na Fenapesca em Ribeirão Preto, SP, foi tremendamente satisfatório. Na ocasião consegui pescar quase todas as espécies que foram colocadas no aquário gigante, para alegria do público presente. Isso me deu muita confiança e certeza de que com fly é possível pescar em qualquer lugar. Os organizadores me contrataram para fazer apresentações no próximo ano.

Na feira conheci Oscar “Tano” Baruzzi, empresário e fly fishermen e Gustavo “Tati” Tachini, fly fishermen e guia de pesca, ambos de Bariloche, na Argentina. Eles estão sondando o mercado brasileiro, com o propósito de ampliar o turismo de pesca para a Patagônia Argentina. As conversações avançaram bastante e incluem o intercâmbio entre Argentina e Brasil, através dos nossos empreendimentos.

A convite de um amigo fui pescar nos rios Claro e Arinos, na região de São José do Rio Claro, MT, já na Amazônia legal. Com a missão de pescar matrinxãs e fazer matéria para a revista, me vi envolvido em situações novas onde foi preciso mais técnica para conseguir alcançar bons resultados. A matrinxã é muito arisca e no sistema de rodada só se tem chance para um arremesso, e tem que ser certeiro, no lugar onde o peixe está, pois a “velhaca” não dispara atrás da mosca.

Matrinxã no fly

No terceiro dia de pesca eu já havia dominado a técnica do pick up e ai me diverti pra valer. Para completar a pescaria o administrador do lugar me levou para uma lagoa que já estava sem conexão com o rio Claro, mas repleta de matrinxãs com peso médio de 1 kg. Só parei de pescar quando minhas moscas acabaram, ou foram literalmente destruídas pelos dentes das matrinxãs, que pareciam estar sem comer há semanas.

Capa da edição de aniversário

A revista Pesca Brasil está comemorando um ano, um ano de sucesso editorial, de inovação no projeto gráfico e de qualidade de conteúdo. Definitivamente é um marco na história da pesca com mosca no Brasil, pois tem trazido ensinamentos importantes para os que apreciam a pesca esportiva, principalmente o fly fishing. Minha responsabilidade como editor e fly fishermen a partir de agora é ainda maior, pois existe uma expectativa do público com a revista, em razão da qualidade da informação que foi inserida. Pelo visto a trajetória da minha vida como pescador esportista e adepto fervoroso do fly fishing, foi redirecionada, pois antes pescava por prazer e agora passo a pescar por dever profissional. De uma coisa tenho certeza: estou gostando muito disso.

Acontece o repeixamento mais dramático que já realizei em toda minha vida. A viagem para o rio Aiuruoca, com a proposta de reintroduzir 250 juvenis de trutas arco-íris, doadas pelo Walter da Fazenda Hortência, por pouco não acaba em tragédia.
O serviço de meteorologia, mais uma vez se enganou e não previu chuvas torrenciais para o final de semana.

Explorer no barro

Fui apanhado pelo dilúvio no meio do caminho, com 250 juvenis divididos em 5 sacos plásticos com oxigênio para oito horas. A soltura dos peixes ocorreu em outro ponto do rio, às três horas da madrugada, para evitar que morressem por falta de ar. A odisséia terminou dois dias depois com a ajuda das pessoas do local. Foram necessários 12 homens e dois cavalos para desatolar a caminhonete que havia sido literalmente tragada por uma cratera aberta pelo aguaceiro.

O cônsul de Turismo da Argentina, em São Paulo, convidou-me para uma reunião e as conversações estão caminhando bem. Quem sabe no próximo ano eu possa realizar outro sonho que é o de pescar na Patagônia Argentina.

Para ler Memórias IV clique aqui