Voltar ao início!

 
   
BUSCA DIRETA
Dicas
Eventos
Novidades
Opinião
Pescarias
Técnicas
Turismo
Informações

Receitas para Atar

Humor

Fotos

Colaboradores

 

UM POUCO DA HISTÓRIA - I

Por: LF Pinheiro

O dito popular afirma que “Toda vez que damos solução para um problema, a solução traz dentro de si um problema ainda maior.” E eu estava enfrentando a dura realidade contida na frase, pois havia localizado um ótimo lugar para pescar trutas selvagens, mas as observações preliminares indicavam a necessidade de melhorar os estoques.

Desta vez o apelo encontrou eco e o pedido de doações de juvenis de truta arco-íris foi atendido pelo Valter, proprietário da Fazenda Hortência localizada no município de Passa Quatro, MG. Havia 250 exemplares a minha espera, prontos para serem inseridos no rio Aiuruoca. As trutas produzidas pelo Valter são de boa procedência e com qualidade, porque é preciso ter o máximo cuidado na reintrodução de novos indivíduos para evitar a contaminação e comprometimento do estoque existente.

Além disso, a notícia da “descoberta de trutas no rio Aiuruoca“ estava correndo entre a população local, fazendo com que a pressão de pesca aumentasse muito nos diversos trechos do rio. E estavam pescando com minhocas vivas e matando 40, 50 exemplares num só dia. Por isso meus esforços estavam concentrados na reintrodução de indivíduos juvenis – e com isso dificultar a ação predatória dos linguiceiros - e ao mesmo tempo possibilitar que com a proximidade do estágio adulto as trutas procriassem em ambiente natural. 

De novo o serviço de meteorologia havia pregado uma peça em nós e em lugar de “tempo bom com chuvas esparsas” caia um aguaceiro digno dos tempos de Noé.

A estrada de acesso para a fazenda Hortência estava bastante comprometida, e a caminhonete Explorer estava sendo usada com tração 4X4 e com reduzida.

O tempo gasto em chegar à fazenda, carregar os juvenis de trutas e retornar ao asfalto, foi quatro vezes maior que o normal. Agora, com cinco sacos de plásticos, cada um com cinquenta trutinhas pedindo para serem soltas no Aiuruoca, eu tinha o limite de duração do oxigênio contido em cada embalagem. E isso não poderia passar de oito horas.

Geralmente não demorava mais que duas horas para fazer o restante de percurso, mas a água não parava de cair e já estávamos com o dia terminando.

Na estrada de terra que liga Itamonte à Fragária, a Explorer mais uma vez mostrou ser o veículo ideal para esse tipo de situação. O que eu não sabia era que há apenas quatro quilômetros da pousada a pior ainda estava por vir.

Naquele trecho, a estrada foi literalmente destruída pelas chuvas e entre trancos e barrancos (e põe tranco nisso) o tempo foi passando e avançamos não mais que cem metros por hora.

Ao chegar num ponto da estrada, ou o que restava dela, um pedaço da montanha havia rolado e para transpor seria necessário andar ou voar. O tempo passava e o oxigênio das trutinhas estava terminando e era preciso fazer alguma. Foi então que lembrei que havia um atalho que começava há duas centenas de metros atrás e levava direto para a pousada. E a chuva não dava trégua.

Essa estrada com tempo bom permite a passagem de um carro por vez e debaixo do aguaceiro ficou muito ruim, e o atalho pior. Pior o suficiente para “engolir” a Explorer e acabar de vez com a chance de chegar até o trecho do rio Aiuruoca, em frente à pousada, onde eu queria soltar as trutinhas. E creio que elas, entre si, estavam se referindo a mim de maneira nada educada.

Cada saco plástico cheio de água e com cinqüenta trutinhas pesava “uma tonelada”, mas foi carregando um a um que fiz a reintrodução em outro trecho do rio Aiuruoca. E já passava das três horas da madrugada quando terminei o trabalho. Agora estava na hora de dormir, descansar muito, e depois buscar ajuda para tirar a Explorer da cratera que a havia engolido.

Explorer no Barro

Foi necessário usar a força de doze homens, dois cavalos e muito trabalho para vencer o desafio de desatolar a caminhonete. Como a chuva não parava, no domingo tive problemas também para sair daquele trecho próximo à pousada, e o pessoal de lá, mais uma vez trabalhou muito para pôr a estrada em condição mínima de tráfego.

Alguém poderá perguntar: Você se arrepende de ter feito tanto sacrifico para soltar 250 trutinhas? Minha resposta categórica é: Não foi sacrifício, foi uma alegria.

Explorer no Barro

E alegria maior é quando vejo uma delas, já crescidinha, daquela ou de geração seguinte entrar na minha dry fly, disparar e saltar pelas águas transparentes do Aiuruoca, como que dizendo:

- E aí LF, lembra-se da viagem maluca que fizemos?
LF