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RECORDAÇÕES
DO ANZOL DE ALFINETE AO FLY
Por:
LF Pinheiro
Recordo
dos tempos da minha infância vivida em cidade do interior, onde há mais
de quarenta anos comecei a pescar lambaris no córrego próximo a casa
onde minha família vivia. Na época, meu pai já era um pescador experimentado,
respeitado pelos colegas pela técnica que possuía para pescar carpas,
espécie abundante na região. Não raro, nos sábados à noite, as famílias
mais íntimas iam para o lago pescar carpas e bagres, iluminadas pela
luz de lampiões a carbureto. Até hoje, ao fechar os olhos, posso ver todas aquelas pessoas
participando da pescaria, que também era um piquenique, uma confraternização
entre amigos, com o mesmo ideal: a pesca. Homens, mulheres, meninos,
meninas, todas lá pescando peixes que seriam servidos no almoço de domingo.
Durante a semana, uma ou duas vezes, minha mãe pedia para que eu fosse
buscar a “mistura” para o almoço. E lá ia eu, varinha de bambu (feita
por meu pai), com linha de costura e anzol de alfinete, pegar lambaris
no córrego de águas transparentes, com minhocas tiradas da horta no
fundo da casa. A medida certa da “mistura” era o chapéu de palha que
eu usava e quando estivesse cheio de lambaris, poderia retornar para
brincar com meus amigos. Sim, porque este tipo de pescaria era
para mim um trabalho e ser executado, uma obrigação.
Após quase cinqüenta anos consigo perceber a diferença entre a época em
que eu pescava com varinha de bambu, linha de costura, anzol de alfinete
e hoje, quando eu pratico o fly. Lá eu era feliz e não sabia. Hoje,
sou feliz e sei disso.
N.A.: Esta matéria foi primeiramente publicada na revista Pesca Brasil,
edição nº 7 de novembro de 1998 e continuo sendo feliz.
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