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DESEJO, ILUSÃO
e FLYFISHING
Por:
LF Pinheiro
Vejamos primeiramente o significado de cada um
dos vocábulos que servem de título, de acordo
com o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e
a definição da Federation of Flyfishers – FFF.
Desejo:
expectativa consciente ou inconsciente de
possuir (um objeto) ou alcançar determinada
situação que supra uma aspiração do corpo ou do
espírito; ambição, exigência. Pode ser ainda:
alvo, pretensão ou propósito.
Ilusão:
promessa de prazer, felicidade, durabilidade,
que se revela decepcionante, dolorosa ou
efêmera; esperança vã; decepção, desilusão. Pode
ser ainda: confusão de falso com verdadeiro;
manobra astuciosa para enganar, iludir;
mentira.
Flyfishing:
é um método de pesca dividido em duas partes:
casting e tying.
E qual é o ponto em comum entre desejo, ilusão e
Flyfishing?
Resposta: Cultura, ou a falta
dela.
Posso
explicar melhor. A partir do momento que o
desejo de pescar com fly é despertado no
coração do pretendente, ele passa a fazer planos
de pescarias, experimentar inconscientemente as
fantásticas sensações emanadas pelo hobby, mesmo
que ainda não o tenha colocado em prática. O
tempo de realização desse desejo está
intimamente ligado à capacidade cultural da
pessoa e menor será quanto maior for o nível de
cultura que ela possuir.
A
pessoa culta que é tocada por esse desejo sabe
que é necessário pesquisar sobre equipamentos e
buscar apoio profissional para que a decisão de
compra seja motivo de alegria e não de
desapontamento por adquirir equipamento
impróprio e de má qualidade. Para isso não é
preciso ter poder aquisitivo elevado, mas saber
que não sabe e partir em busca de quem tem o
conhecimento verdadeiro para obter o apoio
necessário. A partir daí o desejo é realizado e
torna-se fonte inesgotável de realização e
alegrias nas pescarias.
Já a
ausência de cultura faz com que a pessoa
invariavelmente saia em busca de equipamento
usado e de preço baixo, mencionando com
eloquência a “relação custo x benefício” e
sempre com a desculpa “se eu gostar comprarei um
equipamento melhor”.
Ai
acontece duas coisas: a) a pessoa não vai gostar
porque na maioria das vezes o equipamento é
inadequado; b) terá que vender o ‘mico’ por
preço ainda mais baixo para não ficar no
prejuízo total. A falta de cultura conduz esse
tipo de pessoa à ilusão de que poderá aprender
sozinha e com equipamento ruim. Elas produzem
ainda um relato padrão para justificar seu
fracasso na pesca com fly: “Tava ventando, o
lugar é muito fundo, tinha muita tranqueira”, e
vai por ai afora. Assim passam a engrossar as
fileiras dos eternos insatisfeitos e que
contribuem para a criação de mais mitos a
respeito do Flyfishing.
A frase
elaborada por Mario Quintana a esse respeito é
lapidar:
“O
autodidata é um ignorante por conta própria”.
Aquele
que procura instrutor realmente capacitado para
realizar seu desejo de tornar-se um Flyfisher
pleno, mostra antes de tudo que é culto, e
economiza muito tempo e dinheiro. Esta é a
verdadeira relação custo/benefício.
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