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FLYSERO
Parece, mas não é!
 

Por: LF Pinheiro

De tempos em tempos surgem novos “experts” no segmento da pesca esportiva, pessoas que mal sabem de que lado fica a ponta da vara de pesca e, infelizmente, o Flyfishing não consegue sair ileso dessa onda negativa de contribuição.

Esses “especialistas” ocupam os espaços gratuitos dos fóruns e blogs na Internet, (os quais são mantidos à custa exclusiva dos seus idealizadores), e com isso se sentem importantes, verdadeiros ícones da pesca com mosca, livres para manifestar a aridez dos seus comentários. Alguns desses participam ainda na mídia off line em troca do espaço de exposição, corrompendo, com isso, o vínculo profissional entre as partes. Lamentavelmente acabam por induzir outras pessoas ao erro, o que gera grande frustração naquele desavisado que seguiu os conselhos impróprios.

Essas pessoas, o “flysero”,  são como aquelas que usam paletós com enchimento nas ombreiras para parecer que possuem um físico atlético, quando na verdade são franzinas. Como aqueles que compram um carro 1.0 (nada contra esses veículos) e abrem o cano de escapamento para fazer mais barulho, e com isso acham que o “possante” pode encarar veículos 2.0. Ou ainda, como aqueles que usam cuecas com enchimento para parecer mais viril.

O flysero é invariavelmente desprovido de recursos intelectuais e econômicos e defende vigorosamente a equivalência técnica e prática entre um conjunto combo de R$400,00 e um equipamento high-tech de U$1.000,00. Digo que o melhor equipamento é aquele que possuímos, mas isso não significa que seja o melhor disponível no mercado. Reitero ainda que a barreira econômica é perfeitamente entendida, mas não deve ser usada como justificativa para a apologia da equivalência entre equipamentos.

É comum ouvir desses proprietários de combos chinfrim “Uso baitcast porque com fly não dá, tava muito marolado, ventava, ou tinha muita pauleira”. Equipamento ruim manuseado por usuário pior, só pode oferecer serias limitações de eficiência e eficácia. Diz o dito popular que “quando o violeiro é ruim põe defeito na viola”.

Outros dizem ainda que quem sabe arremessar, arremessa com qualquer equipamento. Com isso eu concordo, mas é preciso acrescentar que irá arremessar muito melhor, com mais facilidade, precisão e menor esforço, com equipamento de qualidade.

Em duas décadas de existência efetiva no Brasil o Flyfishing ainda engatinha se arrasta e, apesar de possuirmos a maior ictiofauna do planeta, o número de praticantes é muito pequeno, mesmo se comparado a países de menor densidade demográfica, como a Argentina e Chile, por exemplo.

Boa parte da responsabilidade por esse atraso se deve aos psicitacistas, os flyfiseros que insistem em confundir os interessados na prática, criando mitos e dificuldades para desenvolvimento do flyfishing no país.

São verdadeiros parasitas que não querem contribuir para o bom, agradável e profícuo desenvolvimento do esporte, mas querem o máximo de proveito com o mínimo ou nenhum investimento, quer seja em equipamento ou conhecimento.

O flysero vive a procura de “oportunidades” para copiar informações, cursos e técnicas, em total desrespeito ao Direito Autoral, ao trabalho do autor. Quando obtém a informação que precisa não tem pudor em usá-la e invariavelmente não cita a fonte. Como a maioria desse acervo é produzida em língua inglesa, a tradução e uso requerem procedimentos profissionais éticos e previstos em lei, mas o pirata se contenta em ver imagens, em razão da sua limitação cultural. Pior que isso é aquele que acha que entendeu o conteúdo e passa a difundir informações contrárias, através de tradução literal inadequada.

É importante que a cada dia mais e mais pessoas venham a contribuir com a divulgação e promoção do Flyfishing. Que haja mais praticantes e instrutores capacitados, porque com isso todos irão ganhar, não só economizando muito dinheiro na compra correta de bons equipamentos, mas principalmente mais conhecimento e técnica para desfrutar do melhor que o esporte mais interativo que existe oferece.

Precisamos de Flyfishers com técnica e estilo e não de flyseros! O esporte, a cultura, a mídia e o meio ambiente agradecem.