A
quase totalidade dos pescadores em nosso país ignora que a pesca, antes
de ser um esporte, é um negócio como outro qualquer. E como
tal deve ser gerido com competência e seriedade para atender ao mercado
crescente de consumidores exigentes, no caso os pescadores amadores, com destaque
para os esportistas.
Assim é feito em paises como Argentina, Inglaterra, França,
Canadá, EUA e Japão, onde se pesca em rios que cortam grandes
cidades como Nagazaki, por exemplo.
Lá a pesca esportiva é encarada como muita seriedade o que possibilita
a pratica do esporte em condições excelentes e com muita qualidade
de peixe, ainda que com poucas opções de espécies.
O relatório qüinqüenal emitido pela Secretaria de Proteção
a Vida Selvagem dos EUA, no período de 1991 a 1996, mostra que o faturamento
foi de US$38 bilhões, com a média anual de US$7.6 bilhões.
Esse valor é obtido com os segmentos envolvidos na pesca esportiva,
incluindo o combustível consumido.
Nesses
paises a hipocrisia foi deixada de lado e os departamentos mumificados - ou
cheios de múmias - foram modernizados para que estas cifras espetaculares
fossem obtidas. Essa montanha de dinheiro circula entre os componentes do
segmento, ou seja, a população que pode se dedicar profissionalmente
e em vários setores da atividade chamada pesca esportiva.
A qualidade de vida das pessoas que vivem nesses paises está acima
dos interesses medíocres de técnicos míopes, cuja espécie
ainda consegue sobreviver em paises de 3º mundo.
Para que o leque de opções seja ampliado, os paises citados
estão melhorando geneticamente as espécies autóctones
e introduzindo novas espécies, como é o exemplo do nosso tucunaré
que foi introduzido na Florida e no Havaí.
Cientistas, técnicos e pescadores estão conscientizados da necessidade
de manter e melhorar os estoques existentes com o propósito final de
garantir a geração de empregos e a pratica de lazer genuinamente
saudável.
Lá os praticantes da pesca esportiva sabem que para manter o status
quo é necessário organização e força, só
obtidas através das associações, as quais os representam
nos diversos setores da sociedade, incluindo a política.
Aqui
no Brasil, temos a maior bacia hidrográfica do mundo, o melhor cenário
e o maior número de espécies e nada mais que possa contribuir
positivamente para a pesca esportiva, continuamos "...deitado eternamente
em berço esplêndido." Parece até que esta estrofe
do nosso hino foi uma maldição lançada sobre o povo que
terá que viver morrendo de fome na porta do açougue.
Todos
querem ter peixes grandes e em quantidade para pescar durante todo o ano,
mas a quase totalidade desses pescadores quando chamados para arregaçar
as mangas e formar cardumes, ou melhor, associações, apresentam
uma fieira de desculpas. A continuar assim, em breve teremos a falência
generalizada dos poucos empresários que ainda existem e teremos que
nos contentar em pescar peixinhos no ambiente natural.