|
O QUE É SER
PURISTA EM FLYFISHING?

clique na imagem
Por:
LF Pinheiro
Vamos iniciar examinando o vocábulo ‘purista’
apoiados no Dicionário Houaiss da língua
portuguesa: Purista =
substantivo de dois gêneros
- indivíduo que
defende de modo estrito e não raro excessivo uma
tradição, que é adversário de modificações de
usos, normas, padrões, contrário a alterações de
uma ortodoxia.
Quando se aplica esta
análise gramatical ao Flyfishing é preciso
retroceder na História para entender por que os
ingleses, os primeiros e maiores promotores do
método de pesca com mosca no mundo ocidental,
foram classificados de puristas.
Até o século XVIII o
equipamento de pesca era composto por vara de
madeira ou bambu, linhas caseiras feitas com
crina de cavalo e seda e em alguns casos de
tripa de mico. Um carretel para acomodar a linha
que tinha comprimento próximo a três vezes ao
tamanho da vara. As moscas eram feitas com
materiais naturais, amarradas em anzóis
parecidos com os atuais e tinham enorme
dificuldade para flutuar. Por isso somente os
mais abastados podiam praticar o esporte, pois
era necessário possuir uma grande variedade de
varas e linhas que se estragavam com facilidade,
além da habilidade necessária para atar suas
próprias moscas “secas”.
Equipados dessa forma
aqueles pescadores tinham ainda que desenvolver
excelente senso de observação para localizar e
se aproximar das trutas alimentando-se na
superfície durante os curtos períodos do verão
inglês. Não podemos nos esquecer de que eles não
possuíam, até então, impermeabilizantes para
moscas e linhas, wader e conhecimento de que as
trutas alimentavam-se também de ninfas e larvas
abaixo da superfície da água.
No mundo contemporâneo,
após a Segunda Grande Guerra, inovações
tecnológicas permitiram o desenvolvimento de
varas, linhas, carretilhas e líderes, os quais
foram imediatamente aceitos pelos flyfishers,
além de haver permitido a expansão do
apaixonante método de pesca.
Ao final do século XX o
advento da Internet possibilitou à maioria dos
mortais o acesso a informações antes restritas
às pessoas diferenciadas socialmente, quer pelo
nível cultural, quer economicamente, com os
praticantes do flyfishing inclusos, incluindo
até os não favorecidos cultural e economicamente
falando.
Isso é chamado de
“democratização da informação”, e permite a
participação de qualquer pessoa, inclusive as
totalmente despreparadas e elas, por formarem a
maior parte da população, – notadamente em
países do Terceiro Mundo – propiciam que
‘tsunamis’ de contra informação ocorram
frequentemente.
Para a prática do
Flyfishing como hobby duas coisas são
essenciais: cultura e dinheiro. Não é necessário
ser muito culto e muito rico, porém a falta de
somente um desses componentes fará com que o
exercício, com técnica e estilo, possa ser feito
corretamente.
As pessoas desprovidas
de cultura desconhecem as origens e fundamentos
do Flyfishing e não estão dispostas a fazer um
‘upgrade’, que permitiria resolver também a
falta de grana. Para encobrir suas deficiências
de conhecimento lançam mão de recursos
incorretos (como pirataria, por exemplo) e
passam a qualificar como ‘purista’ todo àquele
que não aceita essa irreverência cultural. Pior,
o termo ‘purista’ é usado pejorativamente e visa
ofender a minoria lúcida que, por méritos
próprios, possui uma visão mais ampla sobre o
assunto.
A maioria dos flyfishers
pescam com diversos tipos de linhas, varas,
carretilhas e uma infinidade de moscas para
capturar inúmeras espécies de peixes em água
doce e salgada e esses, portanto, não podem ser
chamados de puristas.
Para que um flyfisher
receba o título de “purista” é necessário que a
prática do método seja realizada estritamente
com vara de bambu, linha de seda, mosca seca - atada exclusivamente com matérias naturais - e para pescar trutas.
Esses aficionados são
cultos o suficiente para aceitar o fato da
existência de outros métodos de pesca, incluindo
as variações adotadas no Flyfishing
contemporâneo. Infelizmente o inverso não é
verdadeiro.
Todos podem praticar o
Flyfishing, mas somente alguns o conseguem de
fato e de direito. |