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AMAZÔNIA, TUCUNARÉ e CIA.
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: arquivo do autor

Foram alguns meses de preparativos para a nossa pescaria anual na Amazônia. Somos um grupo de dez amigos que têm em comum, além do fanatismo por iscas artificiais, uma admiração toda especial pelo tucunaré. E quando se trata do tucunaré amazônico a coisa muda de figura, ou melhor dizendo de tamanho.

Quem já esteve por lá, sabe muito bem do que estou falando. Enquanto os tucunarés paulistas, mineiros, goianos e mato grossenses raramente atingem os cinco quilos de peso, lá a possibilidade de ter sua isca atacada por um animal de 7 ou 9 quilos é bem grande.

Na viagem que fizemos em 1997, meu grande amigo e parceiro Guilherme Abduch, teve o imenso prazer de ver seu "streamer" na boca de um tucunaré de 8 quilos. Já imaginaram em que "desconfortável" situação o Guila se meteu? Demoraram alguns dias para ele recobrar parcialmente os sentidos e parece que não totalmente. Basta tocar no assunto que ele começa a descrever tudo novamente com uma riqueza de detalhes incrível.

Tentamos neste mesmo ano utilizar alguns "poppers" com dimensões amazônicas, pois como diz o ditado: isca grande, peixe grande. Agora imagine arremessar uma mosca que mais parecia um rolha de garrafa de champanhe, com uma vara de peso 9, sob um calor de 35 a 40 graus. Haja braço.

Para a pescaria do ano passado continuamos a utilizar os "streamers" mas reduzimos substancialmente o tamanho dos "poppers". Depois de algumas pesquisas em revistas especializadas, resolvi diminuir o tamanho da cabeça dos "poppers" e utilizar os afinadíssimos anzóis Hayabusa. O resultado foi uma mosca leve o suficiente para ser arremessada por uma vara de peso 7, e resistente o bastante para não ceder à força de um tucunão.

O sucesso destes "poppers" foi enorme. Fizemos uma verdadeira festa com os pequenos e violentos tucunarés borboleta e paca. Porém o melhor ainda estava por vir. 

Nesta viagem o nosso barco hotel era o Muiracatiara, apelidado pela turma de Maracutaia logo após uma série de imprevistos e avarias na saída, e foi nele que acordamos no terceiro dia apoitados no Rio Negro, num local bem próximo da foz do Rio Branco. A coloração das águas justifica plenamente os nomes. Enquanto o Negro tem as águas escuras, como um rio de Coca-cola, o Branco tem as suas bastantes claras, levemente esverdeadas.

Resolvemos, o Guila e eu, explorar um "paraná" (braço do rio principal) na margem oposta. Foi tomar café, colocar as tralhas no bote e zarpar. Mesmo navegando devagar e com muito cuidado, batemos forte numa pedra no meio do rio. Vale dizer que escolhemos o mês de novembro para viajar e o nível das águas era o mais baixo dos últimos 50 anos. Avarias, só uma pá da hélice um pouco torta, mas nada que comprometesse a segurança.

Lagoa na AmazôniaEntrando no "paraná" topamos de cara com uma lagoa já sem comunicação com o rio. O que normalmente seria sua entrada no canal principal, era agora uma pequena praia. De imediato propus ao Guila começar a pescaria ali mesmo, mas andando pela praia, sem o desconforto de ter a linha de "fly" enroscando em algum cantinho do barco. Escolhemos "poppers" de cores diferentes. O Guila deu preferência a um todo branco de cara vermelha e eu a um todo preto com cauda de penas de galinha d'angola.  Logo no terceiro ou quarto arremesso fizemos um duble de "borboletas".
 

Feijão e aruañaDali a pouco, num pincho não muito longo, vinha trabalhando o "popper" bem devagar, quando ele foi sugando bem de mansinho, quase com suavidade. Dei o "strike" e a vara 7 vergou. "Outro tuca", gritei, "pega a máquina fotográfica que ainda não tiramos nenhuma foto hoje". O Guila pegou a câmera no bote e veio caminhando e fotografando em minha direção. Até então eu não tinha visto a cara do danado, ele só brigava no fundo, e como brigava. A vara chegava a vergar em quase toda sua extensão. Quando finalmente vimos que peixe era quase não acreditamos. Um aruanã.

Feijão e aruañaEm todas nossas pescarias de tucunaré pela Amazônia, já havíamos topado com quase toda espécie de peixes. Jacundás, traíras, piranhas, apapás e cachorras, mas com um aruanã  e ainda mais no "fly". Foi fantástico. Já na primeira corrida ele esticou toda a linha que estava para fora do carretel. Cada vez que se aproximava da tona arrancava alguns metros de linha fazendo a carretilha cantar. Foi se entregando bem devagar, até liberá-lo e soltá-lo.
 

Feijão soltanddo aruañaNão sem antes posar para uma bateria de fotos. O  primeiro aruanã no "fly" a gente nunca esquece. Ah! Se você amigo, passar qualquer hora dessas pelo Rio Negro, ali bem pertinho da foz do Branco e encontrar um aruanã briguento e valente, mande lembranças e diz que em setembro o Feijão e o Guila estarão de volta.


Equipamentos utilizados:

Varas 7 e 9 de 3 e 2 partes, respectivamente

Líder de 15 libras

Linhas WF#7 e 9 Bass bug