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CARPA COM PLUMA
Introdução
As inúmeras opções de pesca com fly incluem as diversas espécies de
carpa existentes em nosso país, quer em cativeiro ou na natureza, e com
exemplares que facilmente utrapassam os dez quilos. Porém, essa
modalidade não é praticada plenamente por falta do conhecimento
necessário para o envolvimento com esses verdadeiros “tanques de
guerra”, que exigem muita técnica e destreza do flyfisher para que o
sucesso seja obtido.
Como especilista na pesca de carpas, sei reconhecer outros e há alguns
anos tenho observado os artigos relacionados escritos pelo José
Rodrigues, Flyfisher português, que tem mantém seu site repleto de
relatos sobre seu envolvimento com as carpas. Ele aceitou meu convite e
escreveu o artigo abaixo, ilustrado com belas fotos de pescaria com
carpas.
Aproveitem a experiência do José Rodrigues, ‘nosso patrício’, e inclua
esta execlente opção de pesca, que é o desafio permanente de capturar
carpas.
Depois visitem o site dele para conferir mais experiências.
Abraços,
LF
Texto e Fotos:
José Rodrigues
A
procura.
Existem
muitas diferenças entre pescar carpas com a técnica da mosca e pescar carpas
com métodos ditos tradicionais. Uma dessas diferenças é a procura, o ato de
procurar e localizar a carpa, para depois tentar pescá-la. Procurar esta
espécie é um grande desafio. Daí que um dia de pesca dedicado a esse peixe
quase sempre se torna num dia muito exigente a nível físico, obrigando o
pescador a caminhar pelas margens, por vezes durante muito tempo, até
avistar a primeira carpa ou encontrar um local com várias carpas em
atividade.
O
que procurar.
O
importante é, sem dúvida, ver sem ser visto e, para isso, quando andamos à
procura, devemos fazê-lo o mais afastadamente possível da margem, esperando
identificar qualquer movimento que denuncie a sua presença. Um dos maiores
problemas poderá ser detectar uma carpa e decidir o que fazer naquele
momento. Mas isso é algo que, com o tempo, se aprende a identificar, sendo
que a prática e a experiência irão jogar a nosso favor.
Podemos
ver diversas coisas, dependendo da hora do dia e da profundidade do local.
Durante a manhã, especialmente nas primeiras horas e se não houver vento,
conseguimos ver mais facilmente as carpas a movimentarem-se em águas baixas:
vemos alguma ondulação na superfície ou vemos o dorso das carpas fora de
água, enquanto procuram alimento junto à margem.
Saber o que fazer.
Quando descobrimos uma carpa a comer, é sempre imprevisível o que irá
acontecer nos momentos seguintes e temos de avaliar a situação para decidir
o que fazer. Devemos aproveitar os momentos em que estamos fora do alcance
da sua visão e realizar uma aproximação lenta, de silhueta baixa, de forma a
não denunciarmos a nossa presença. Quando nos aproximarmos o suficiente,
temos de ver como ela está a comer e a sua posição dentro de água, já que,
muitas vezes, não é fácil descobrir para que lado está a cabeça. Daí que
algo muito importante é sabermos observar e esperar pelo momento certo, para
realizar o nosso lançamento. Claro está que, se nos fosse sempre permitida
uma aproximação perfeita, esta pesca tornar-se-ia monótona e sem graça.
Muitas vezes, somos obrigados a reagir instintivamente, algo que se aprende
com o tempo.
O
poder da precisão.
Sem dúvida que quem domina o lançamento e tenha precisão será um bom
pescador de carpas. Para termos sucesso, teremos de lançar a nossa pluma no
lugar certo e no momento certo, bastando, muitas vezes, um pequeno desvio,
para não conseguirmos despertar o interesse da carpa. É necessário ter em
atenção que a maioria dos locais onde pescamos as carpas não estão livres de
obstáculos, tanto nas margens como atrás do pescador e, como grande parte
dos lançamentos são realizados de silhueta baixa, será fácil que alguma
coisa corra mal, como a linha prender no chão ou a mosca ficar presa atrás
de nós em paus, pedras e vegetação.
Quando nos aproximarmos o suficiente, devemos tirar a linha necessária para
realizar o lançamento e observar o que está por trás de nós para, então, com
o menor número de falsos lançamentos, colocar a mosca no ponto que queremos.
A
mosca mágica.
Muitos
pescadores não fazem ideia de que as carpas podem ser apanhadas com mosca, o
que também demonstra algum desconhecimento sobre a espécie. Uma carpa, no
seu meio natural e selvagem, tem de comer o que a natureza lhe oferece e,
neste caso, será junto às margens e em águas pouco profundas que irá
encontrar maior quantidade de alimento, seja este de origem animal ou
vegetal. Nas margens, as carpas comem, desde pequenas aglomerações de algas,
a pequenas larvas, lagostins ou até mesmo moluscos. Quando selecionamos uma
mosca para a carpa, devemos ter em conta o local em que vamos pescar. Os
tamanhos das moscas variam consoante o ser que iremos imitar. Se imitamos
uma larva, podemos montar as moscas em anzóis que vão do número 16 até ao
10, enquanto que, se quisermos montar um lagostim, temos de utilizar anzóis
que vão do número 10 até ao 6. O peso também é algo importante. Em águas
baixas, devemos utilizar sempre moscas leves, já que as carpas se assustam
com facilidade e o simples “ploc” da mosca ao cair na água é
suficiente para que fujam. Em locais com um pouco mais de profundidade, já
podemos utilizar moscas mais pesadas, pois vamos querer que estas cheguem
rapidamente ao nível da carpa, porque esta nem sempre fica muito tempo no
mesmo local e, se não formos rápidos, perderemos a nossa oportunidade. As
cores que normalmente utilizo são preta, oliva e laranja, porque estas são
as cores presentes nos seres de que elas se alimentam. Daí que estas cores
são as cores número um.
A
mosca está no sítio certo, e agora?
Por vezes, quando a mosca cai no lugar certo, nem há necessidade de a mover:
a carpa irá ver a ninfa em queda e irá comer. Outras vezes, em zonas onde a
carpa está com a visão limitada, temos de a colocar mesmo à sua frente. Mas,
se lançarmos muito perto, poderá fugir com o tal “ploc”. Então, o que
fazer?
A
solução que encontrei é simples: realizamos o lançamento de forma que a
mosca caia uns 60 ou 80 cm para lá do lugar onde a queremos e, então, mal
ela toca a água, com um movimento de braço, puxamos a linha rapidamente, de
forma a que a ninfa risque a água na superfície, parando no lugar onde
queremos que esta caia. Desta forma, a carpa não irá se assustar com a
mosca!
Outra regra é manter a ponta da vara baixa, muito baixa, porque, muitas
vezes, a carpa não vê a pluma se não lhe dermos algum movimento. Mas este
movimento terá de ser um movimento preciso e calculado. Se recolhermos a
linha 5 cm, temos de ter a certeza de que a mosca vai percorrer esses 5 cm
da forma que desejamos e, para isso, temos de manter a vara em baixo.
Comeu não comeu?
Ver a carpa, aproximar-se e conseguir lançar a mosca com precisão no lugar
certo é uma coisa, mas saber o momento certo para ferrar o peixe e a forma
como o devemos fazer é outra. Como já referi, o comportamento da carpa é
imprevisível e é esta imprevisibilidade que me leva a perseguir este peixe
sempre que posso.
Por vezes, o lançamento perfeito assusta a carpa; outras vezes, só na quarta
tentativa conseguimos um bom lançamento, mas a carpa nem se apercebeu do
sucedido. Por vezes, a mosca cai a meio metro da carpa e esta investe a
grande velocidade; outras vezes, a mosca tem de cair à sua frente, para que
a veja e coma. Por vezes, o “ploc” da mosca a bater na água a meio
metro da carpa faz com que se vá embora; outras vezes, o “ploc” mesmo
por cima dela não a parece incomodar. Enfim, nunca podemos prever o que
poderá acontecer!
Mas, quando tudo corre como desejado e a carpa se mostra interessada na
mosca, ela vai nadar até ela e comer. Eu digo a muitos amigos que cravar uma
carpa tem de se tornar algo instintivo: chegará o momento em que sabemos que
a carpa acaba de comer a pluma. Podemos ver a carpa parar sobre a mosca e
investir no fundo; podemos ver um movimento de rotação e uma parada. Elas
darão sempre um sinal que nos fará saber e, se não derem, nós, com a
prática, saberemos, instintivamente, que estão comendo a mosca. Em alguns
momentos e em alguns locais, em que conseguimos, de forma especial,
aproximar-nos de algumas carpas e pescar “de ponta”, com apenas um metro de
terminal (tippet) fora da vara, conseguimos vê-las a abrirem a boca e
aspirar a mosca, ou então a tombarem ligeiramente e olharem para nós,
dizendo que fomos vistos. Seja uma experiência de sucesso ou insucesso,
será, sem dúvida, uma boa experiência.
Quando
pescamos carpas com mosca, temos de ter a consciência de que estamos
pescando um peixe muito forte e, no momento da fisgada, se não tivermos
algum cuidado, podemos perder o peixe. No momento de ferrar, o maior inimigo
é a adrenalina e, se ferrarmos com a vara, ao levantá-la, apenas iremos
parar quando esta estiver bem em cima e, com a carpa a fazer força no outro
lado, o terminal (tippet) irá partir com frequência. Daí que, para ferrar
uma carpa, utilizo a mão e a vara. Assim, sei perfeitamente a quantidade de
força a aplicar e aplico consoante o que sinto do outro lado. Mantendo a
vara baixa, basta esticar a linha com a mão e temos a carpa ferrada. Mas não
existem garantias, já que, mesmo assim, algumas vezes aplicamos um pouco
mais de força e, se a carpa tiver um comportamento mais violento, o terminal
(tippet) não aguenta e quebra. Se não romper, vamos, de certeza, ter uma
boa luta.
A
imprevisibilidade desta pesca vai-nos obrigar a aplicar e a melhorar toda a
nossa técnica e destreza. A magia não estará em apanhar uma carpa, mas sim
em apanhar carpas com consistência ao longo do tempo, em diversos cenários e
com diferentes condições climáticas. São estas experiências que, vividas ao
longo das jornadas de pesca, tornam a pesca com mosca uma modalidade tão
especial.
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