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FLYFISHING
Antes tarde do que nunca
Por: Emerson Hortolan
Fotos: arquivo do autor e by LF
Comecei neste apaixonante hobby da pesca um pouco tarde,
há nove anos, quando estava entrando nos “enta” aos 40
anos e, por isso, diferente da maioria dos pescadores.
Fui levado a praticá-lo pelo meu falecido pai que,
naquela época, iniciava seus quatro netos homens, meus
filhos.
Como nenhum avô “merece” quatro moleques
simultaneamente, comecei a acompanhá-los aos
pesque-e-pague da região. Rapidamente, o gosto pela
pescaria apareceu – ele estava latente, esperando ser
despertado.
Num destes pesqueiros, conheci um rapaz, filho do
proprietário, que arremessava com uma vara de fly. Foi
amor a primeira vista.
Aproximei-me dele e fiz aquela invariável gama de
perguntas, que hoje respondemos, típica daqueles que só
viram flyfishing em filmes americanos.
Tornamo-nos amigos, e perguntei se ele poderia
iniciar-me naquela “arte”. Ele me respondeu que embora
não se considerasse um professor, costumava auxiliar
amigos na introdução ao flyfishing.
Mas este rapaz, certamente o melhor “arremesso” que já
conheci, apesar de sua enorme boa vontade, realmente não
era um professor.
Sou muito metódico, estudo muito aquilo que preciso ou
aquilo que me interessa, e notando que, embora já
“falsecasteasse” com algum sucesso, percebi uma
infinidade de limitações nas minhas pescarias com fly.
Comecei a procurar por livros, DVD’s, internet...,
enfim, tudo que pudesse acrescentar “conteúdo” na minha
carreira de flyfisher.
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No Brasil,
há pouquíssimo material de Flyfishing. Livros, creio que um único, bastante
técnico de Paulo César Domingues (que virou meu livro de cabeceira por anos,
mesmo não o compreendendo inteiramente).
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Nesta época encontrei também o DVD de LF Pinheiro que
comprei rapidamente e assisti umas quinhentas vezes.
Entusiasmado, parti para materiais importados onde há um
excelente acervo.
Com todo este estudo “didático” e muitas horas de
treino, contatei o LF visando o curso avançado que ele
ministra na maravilhosa Fragária, no Rio Aiuruoca
(consegui pronunciar o nome do rio após três seções de
fonoaudiologia).
Uma inflexão na curva de aprendizado.
O curso foi um divisor de águas na minha amadora
carreira de flyfisher.
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A maior
parte do conteúdo, embora não fosse exatamente “novo”, pois eu já havia lido
em livros ou assistido em DVD’s (incluindo vários do mestre do LF, Mel
Krieger) ... finalmente FAZIA SENTIDO!
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Daí para
frente, nunca mais utilizei força desnecessária, nunca mais tive dores nas
costas ou nos ombros. Conseguia pescar por horas e horas, dias e dias, sem
que nada mais me incomodasse.
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A
apresentação das moscas, mudou radicalmente, caindo como um pequeno inseto,
ou iniciando o estardalhaço de um Popper... agora, isso acontece quando eu
quero e não mais eventualmente.
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O vento que sempre encerrava minhas pescarias, hoje,
passou a ser um bom aliado, auxiliando-me nos arremessos
mais longos.
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Nas varas
maiores, meu arremesso leva “até um pedaço do backing” (ótimo para os
tucunarés) e elas não são mais “insuportavelmente pesadas” como eram antes
de conhecer o LF.
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Essa é a grande diferença entre utilizar como professor
uma pessoa que tenha uma enorme boa vontade e
conhecimento prático de alguém que tenha “se preparado”
para ensinar.
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Mais recentemente, ainda me utilizei do professor LF
para dar meus primeiros passos no fly tying (curso de
atado): foram dois dias de imersão no assunto...
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Só espero o término de uma reforma na minha casa – coisa
de um certo “pescador arquiteto” (companheiro de pesca)
– para começar a atar minhas próprias moscas.
Certamente, ninguém delega o aprendizado de seu filho ao
“vizinho que é bom de matemática” e, certamente, não
devemos fazê-lo com o nosso hobby, esse encantador
flyfishing.
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