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GALERIA DOS HORRORES

Troféu morto

Por: LF Pinheiro

Em quase a totalidade das lojas de pesca existe a "galeria dos horrores" exposta em forma de fotos de peixes mortos em diferentes posições e situações, ostentados orgulhosamente por seus respectivos carrascos.

O paradoxo é que essas mesmas pessoas que matam pelo prazer de matar, volta e meia, em suas reuniões costumam dizer: "Nos velhos tempos tinha peixe grande", e "Você se lembra daquele dourado de 15 kg que eu matei na Paranazão?" e pior ainda "Naquela época eu trazia o isopor de 200 l cheinho de tucunarés dos bão".

A situação é semelhante em quase todas as publicações ditas "esportivas", incluindo-se as que estão na Internet, com a agravante do apelo escrito à matança. São esses últimos que mais reclamam da "situação difícil em que se encontra o mercado de anunciantes".
Nos velhos tempos tinha peixe grande e hoje não tem mais por que foram mortos e, a continuar do jeito que está, em breve as "galerias dos horrores" estarão exibindo tilápias e quem sabe lambaris com 5 cm de tamanho.

Eu ainda não consigo entender qual é a linha de raciocínio dessa gente, pescadores e donos de loja, que matam e incentivam a matança de peixes que em verdade são o produto do lazer e do negócio que praticam. É muito incoerente a atitude adotada., pois se não tiver peixe para pescar, não tem lazer, não tem negócio e nem anunciantes.

No lugar da "galeria dos horrores" deve estar a foto de peixes sendo soltos, saltando fora d'água, entrando nas iscas e propiciando diversão para o pescador. Num país onde todas as pessoas têm o hábito de reclamar das coisas, deveria haver atitudes mais construtivas e, com um pouco de entendimento, não fica difícil compreender que o segmento de pesca também pode contribuir e muito, para diminuir e desemprego e melhorar a qualidade de vida dos envolvidos na atividade.

Pescar e soltar é o melhor caminho para a manutenção dos estoques de espécies que propiciam esportividade. O abate indiscriminado não se justifica de nenhuma maneira, e isso não significa que devemos deixar de comer peixe na pescaria, ou trazer o suficiente para um almoço em família, regado com a narração da luta com o exemplar. Isto faz parte do esporte que deve ser praticado sem hipocrisia, como por exemplo a lei do IBAMA que obriga a soltar exemplares abaixo das medidas estabelecidas, como se por encanto, esses peixes fossem diferentes dos demais. Ou seja, os peixes abaixo das medidas irão sobreviver (por força da lei) ao pesque e solte, os demais, quando soltos por iniciativa dos pescadores irão morrer. Para o órgão que se transformou em agência arrecadadora, é mais fácil e conveniente proibir, do que regulamentar.

O governo Federal não tem nenhum método eficaz de controle e incentivo à pesca esportiva. O dinheiro arrecadado com as licenças é levado para outros fins, ditos como "prioritários" na ótica dos míopes que estão no comando. O governo não se importa com o assunto e com isso descumpre os acordos internacionais firmados na Eco 92, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro em 1992, através da Agenda 21, Seção II, capítulo 15 que trata da conservação da diversidade biológica.

Portanto, é romantismo imaginar que as autoridades irão se posicionar em favor da pesca esportiva, que no final das contas também é meio ambiente. Cabe a nós aficionados pelo esporte, os cuidados e atitudes para preservação das espécies e qualidade das águas. Pescar e soltar é o melhor presente para seu amigo, e a única maneira de preservar as espécies.

Para ler "Tucunaré - mocinho ou bandido?" clique aqui.