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PESCANDO COM MOSCA
 

Por: Luís Fernando Neumann
Fotos: LF Pinheiro e arquivo
do autor


Foi seguindo um impulso, ou quase isso, que comecei a pescar com mosca, também conhecido como flyfishing. Em setembro de 1996 estava com viagem a trabalho marcada para os EUA e decidi que seria a oportunidade de adquirir equipamento e com preço muito mais acessível. Entrei em alguns fóruns de discussão e depois de muito ler optei pela compra de um equipamento #8. Hoje sei que não foi um erro, mas um exagero, porque até hoje uso pouco esse conjunto.

As tentativas iniciais para arremessar foram um desastre e ainda tenho uns vídeos daquela época para comprovar. Eu não tinha a mínima idéia do “timing” do arremesso, da postura corporal e não sabia se o líder estava correto.

Por isso decidi que necessitava de um curso fundamental de pesca com mosca e parti para a pesquisa na Internet. Escolhi o curso do meu tocaio (xará) LF Pinheiro e agendei para a pousada Fragária em novembro de 2006.

No início dos arremessos foi corrigido o meu “timing”. Ao invés de balançar a vara rapidamente para frente e para trás, o LF mostrou que o arremesso é algo bem mais suave e que pode ser realizado suavemente e com ângulos menores de abertura da vara. Foi incrível a sensação de ver meus primeiros false cast se desenrolarem no ar, não perfeitos, mas ainda sim bons “false casts”. Num dos momentos LF olha meus false cast, passa por mim, dois tapinhas nas costa e diz: ”Muito bom, tocaio”.

 

A parte teórica do curso foi também deveras importante. Ali foram lançadas as bases do conhecimento que uso até hoje e foi possível esclarecer dúvidas, corrigir conceitos e aprender coisas novas. Além de tudo e para coroar este esforço todo, ali ao lado está o Aiuruoca para testar na prática todo o aprendizado, pescando trutas verdadeiramente selvagens e um ou outro lambari.

Esse curso fez toda a diferença para mim. Ao voltar para minha cidade, passei a praticar constantemente os arremessos básicos ensinados no Curso Fundamental. Entusiasmado passei a pescar quase que exclusivamente com mosca.

 

Em fevereiro de 2008 fui para a Patagônia argentina pescar trutas com fly e fiz uma excelente pescaria, mas minha sensação é que algo havia me escapado. Eu olhava alguns rios e pensava: onde começo a arremessar? Na frente ou atrás daquela pedra? Por que minha mosca draga, ou arrasta tão depressa? E ninfas, onde e como usar? Voltei com a sensação de não ter sido uma pescaria completa.






 

Voltei incompleto, mas mudado, como disse Heráclito “Quando um homem atravessa um rio, nem o homem, nem o rio são mais os mesmos”.

Decidi que precisava de outro curso e não tive dúvida alguma em ir até a Fragária em junho de 2008 para um Curso Avançado de arremesso e um Curso de Atado em agosto de 2008.

Na época da realização do curso eu o achei bom, esclarecedor e instrutivo, entretanto, o verdadeiro valor do curso se revelou em março de 2009 quando fui pescar pela segunda vez na Patagônia argentina.

Um episódio singular ocorreu quando capturei uma truta “no estilo” no rio Malleo e soube, naquela hora, naquele momento, que a captura daquela truta e daquela maneira somente foi possível devido ao Curso Avançado de arremesso que fiz com o LF Pinheiro. Vi a truta se alimentar rente à margem direita do rio a uns 10-15 m de onde eu estava. Eu estava mais para o meio do rio e me movi em direção à margem, lentamente, passo a passo. Parei e pensei o que fazer. A truta comeu novamente na superfície e então mantive a mosca seca que estava usando.

O peixe estava em um recuo do rio, rente a margem com a correnteza fazendo uma espécie de redemoinho que levava o alimento naquela posição.  Deve ser uma truta dominante, pensei, capaz de expulsar outras rivais daquele excelente ponto de alimentação. Em outras palavras, uma truta de bom tamanho. Assim, deveria arremessar a mosca de maneira que caísse acima daquele ponto e fosse levada pela correnteza de maneira natural, sem dragar, até onde estivesse a truta. Como fazer isto? Simples - depois do Curso Avançado: emendar a linha (“mending”). Assim eu fiz. O primeiro arremesso caiu demasiado à esquerda. O segundo arremesso foi perfeito, junto à margem e cerca de 2 m acima da posição da truta. Emendo a linha para a mosca não dragar e ela faz a deriva naturalmente. A técnica foi feita de maneira certa, nem pouca linha (a mosca dragaria) e nem muita linha (poderia perder a ferrada).  A mosca segue a corrente e entra no recuo e PÁ! A truta ataca a mosca e a briga tem início. Depois de uns 5 minutos de peleia a líder rompeu, mas isto é outra história.

 

Nessa viagem à Patagônia tive a felicidade de capturar uma seqüência de trutas arco-íris usando uma Adams feita por mim no curso com atado do LF. A mosca está meio torta - foi a primeira que fiz - mas mesmo assim as trutas gostaram dela.

 

Retornei sozinho ao rio Aiuruoca, na Fragária/MG, onde realizei a melhor pescaria de trutas arco-íris usando quase que só ninfas com as técnicas aprendidas naquele curso de arremesso avançado em junho de 2008.

Sei que poderia ter dominado as técnicas de arremesso, sem haver feito o Curso Fundamenta, e que estaria pescando. Mas sei também que demandaria bem mais tempo, teria gasto muito dinheiro sem necessidade e com certeza ficaria com alguns vícios de arremesso.

 

Agora, pegar aquela truta e sabendo exatamente o que e quando fazer, isto eu não aprenderia sozinho. Aquela truta é fruto direto dos cursos do LF.