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PESCANDO EM FAMÍLIA
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

O nosso curso de flycasting tem contribuído também para aumentar o ciclo de amizades em torno da pesca esportiva. Não raro, estou saindo para pescar com alguém que fez o curso e desta vez o convite partiu do Adauto, que reside na cidade de Umuarama, no Paraná.

O grupo organizado pelo Adauto estava composto por ele e a esposa Nena, seu irmão Milton acompanhado por Ricardo, o filho com 15 anos de idade e, Walter com a esposa Zulma.

Pescando no rio Culuene

Geralmente os grupos de pescadores são formados por homens, mas desta vez a oportunidade de fazer a cobertura de uma pescaria em família, me levou aceitar o convite. Foi esta proposta, mais a oportunidade de conhecer o rio Culuene, que me atraiu para fazer uma cobertura até então não realizada por mim.

Mapa para o rio Culuene

O ponto de encontro foi em Presidente Venceslau, SP, município próximo à divisa do estado de Mato Grosso do Sul, e dali seguimos com destino à pousada Matrinxã localizada as margens do rio Culuene, na região central do Mato Grosso. O trajeto da viagem por terra é longo e para mim que sai da cidade de São Paulo somou 1.600km, o que nos levou a pernoitar na cidade de Barra dos Garças, MT.
No dia seguinte chegamos na pousada ainda a tempo de "dar uma saidinha para dar uma olhada no rio" e por via das dúvidas é sempre bom estar com o equipamento de pesca ao lado, por que nunca se sabe o vai encontrar.

A noite já havia muito assunto em torno da mesa de jantar, cada um apresentando suas experiências na primeira "saidinha" no rio Culuene. Em verdade todos do grupo, com exceção feita a mim, já haviam estado ali no ano anterior e, portanto estavam familiarizados com o lugar.

Pousada Matrinxã

A pousada Matrinxã é um empreendimento novo e está muito bem equipado e gerenciada, e foi isto que levou o grupo de volta para aquele lugar. É preciso destacar a organização e treinamento do pessoal de apoio existentes na pousada, o que facilitou bastante o trabalho e trouxe tranqüilidade durante nossa estadia.

Na manhã, melhor dizendo, madrugada seguinte já estávamos a postos no porto, com as duplas fazendo planos para o primeiro dia de pescaria. O Adauto levou seu próprio barco (todo equipadinho) e as demais duplas foram distribuídas em embarcações da pousada, com seus respectivos guias.

Por conhecerem a produtividade do rio, o grupo (que fazia uso de iscas naturais e artificiais) chegou com expectativas assim distribuídas: A Zulma, esposa do Walter, queria uma cachara ainda maior que a pescada no ano passado, ou seja, o peixe teria que pesar mais que 13 kg. O Ricardo, filho do Milton, também queria pegar um peixe com mais de 10 kg e o Adauto queria pescar matrinxã com fly.

Adauto arremessando

Os demais estavam em busca da variedade de peixes existentes, pois afinal teríamos quatro dias para nos divertir no rio Culuene.

 

De acordo com os proprietários da pousada Matrinxã, a variedade de espécies é grande e o peso médio dos peixes é bastante satisfatório. A tabela abaixo poderá auxiliar na escolha da(s) espécie(s) de acordo com a época de maior incidência.

A temporada de pesca vai de março até novembro.

Espécie
época
peso médio
Bicuda
março/novembro
l kg
Cachara
julho/novembro
5 kg
Cachorra
março/novembro
6 kg
Corvina
março/novembro
2 kg
Jaú
março/maio
30 kg
Matrinxã
agosto/outubro
1 ½ kg
Pacu
junho/outubro
1 ½ kg
Pirarara
março/maio
30 kg
Tucunaré
março/novembro
1 ½ kg


O rio Culuene nasce entre as cidades de Paranatinga e Primavera do Leste, ambas no Mato Grosso e é o principal afluente do rio Xingu. Durante a época das águas que vai do final de janeiro até o término de março, o leito do Culuene sobe bastante, inundando a mata ciliar e enchendo as lagoas que o margeiam. É nesta época que os pescadores de pirarara e jaú, incluindo os norte americanos, convergem para o local em busca dos maiores troféus que o rio pode oferecer.

Durante os quatro dias inteiros de pesca que o grupo permaneceu no local, a mesma estratégia foi adotada, ou seja, partíamos ao amanhecer, retornando para o almoço e saindo após as 15h em razão do forte calor, pode-se dizer que foi bastante "light". À noitinha nos encontrávamos no trapiche para começar a troca de experiências obtidas durante o dia de pescaria.

A surpresa mais agradável aconteceu no penúltimo dia da nossa estadia, quando um destacamento da Polícia Florestal e da FEMA - Fundação Estadual do Meio Ambiente - chegou por volta das 20h para pernoitar na pousada. É claro que não perdi a oportunidade para conhecer o trabalho deles e registrar o resultado do dia de inspeção naquele trecho do rio. No dia seguinte as apreensões foram ainda maiores, inclusive com prisão em flagrante de dois infratores, e ocorreram nos acampamentos montados às margens do rio, com "pescadores" com ainda insistem em usar espinhéis, redes, "joão-bobo" e tarrafas. De acordo do o Sr. Francisco Bernardes, Chefe da Unidade Regional de Barras dos Garças, as incursões têm ocorrido com mais freqüência, na tentativa de desestimular os contraventores.

De acordo com a legislação atual estabelecida pela FEMA, o limite de abate por pescador é de 20kg, mais um exemplar de qualquer peso. E, dentro deste conceito, os componentes do grupo optaram por levar um exemplar de cada espécie capturada, para ser degustado com os demais familiares.

Como resultado final quanto ao peso dos peixes que seriam apanhados, conforme as expectativas iniciais, o grupo atingiu as seguintes margens:

'ADAUTO E WALTER' 'NENA E ADAUTO' 'MILTON E MATRINXÃ' 'RICARDO E CACHARA'

- Adauto com uma matrinxã de 1 ½ kg
- Walter com uma corvina de 3 kg e 700 g
- Nena com uma cachara de 9 kg e 200 g
- Ricardo com uma cachara de 11 kg
- Zulma com uma cachorra de 7 kg
- Milton com uma matrinxã de 1 ½ kg

Espero poder retornar ao rio Culuene para travar novos embates com as bicudas, cachorras e matrinxãs que são muito espertas e boas de briga.
Se você deseja conhecer mais detalhes sobre a pousada entre no site -www.pousadamatrinxa.com.br - ou então, através do telefone (**) 31- 3274-2260 e garanto que não vai se arrepender.