Voltar ao início!

 
   
BUSCA DIRETA
Dicas
Eventos
Memórias
Novidades
Opinião
Técnicas
Turismo
Informações

Receitas para Atar

Humor

Fotos

Colaboradores

 

PEIXE GRANDE ou GRANDE PEIXE?
 

Texto e Fotos: LF Pinheiro

A pergunta mais freqüente que ouço é: qual o tamanho do maior peixe que você já pescou? Essa pergunta oculta uma avaliação subjetiva do interlocutor que, na maioria das vezes, possui pouca experiência com pesca em qualquer método e crê que quanto maior o exemplar melhor é o pescador. 

De acordo com os especialistas, o Brasil possui aproximadamente 2.500 espécies de peixes, o que corresponde a 10% da ictiofauna mundial em água doce. E na região marinha do nosso país, existem mais de 1.000 espécies, considerando-se as espécies costeiras, pelágicas de passagem, oceânicas e abissais.
 

Com tantas opções, não fica difícil pescar e tentar capturar exemplares de bom tamanho. Mas o que vem a ser exatamente um troféu de pesca? Para responder essa pergunta é preciso, antes, conhecer um pouco de ictiologia. Por exemplo, no Brasil existem atualmente setenta e duas espécies de lambaris (Astianax spp) e a maior delas pode chegar aos 18 cm, outra chega ao máximo ao tamanho de 4 cm. Ao capturar um exemplar dessa espécie próximo a essa medida, o “peixão/troféu” estará garantido. Depois é só fotografar e mandar orgulhoso, o registro do troféu para os amigos.

O lugar onde as espécies vivem – habitat – determina o tamanho do peixe, possibilitando que seja maior ou menor. Podemos usar como exemplo espécies sedentárias, as que vivem em lagos ou represas e as migratórias.

Tucunaré

Vejamos uma espécie sedentária, no caso, dois tucunarés-açu (Cichla spp.); um nasce num lago grande, bem oxigenado e com provimento abundante. Outro nasce em lago pequeno, pobre em oxigênio e pouco sustento. Apesar de terem nascido ao mesmo tempo, três anos depois o primeiro estará com mais de quatro quilos e o segundo com pouco mais de um quilo. Cada um deles atingiu o maior tamanho dentro das condições de sobrevivência encontradas em seus habitats. É muito importante que isso seja levado em consideração ao classificar o peixe pescado.

É claro que o tucunaré criado (e mau criado) em condições favoráveis propicia mais emoção quando fisgado, uma vez que possui musculatura mais desenvolvida e maior resistência para lutar. Mas não podemos esquecer que o segundo peixe no exemplo supracitado (mal criado) não teve as mesmas condições de alimentação e, apesar de menor, tem a mesma idade e pertence à mesma espécie. Isso vale também para espécies migratórias.

Assim, para sair em busca do peixe grande, o troféu da espécie, o pescador deve incluir o estudo prévio do habitat no seu planejamento. Junte a isso equipamento de primeira qualidade, técnica e estilo e, na verdade, é a soma disso faz a diferença entre aquele que captura um peixe grande na vida e o que faz disso um hábito.

No entanto, o que leva o verdadeiro esportista a pescar não é o tamanho do peixe, ou a quantidade capturada, mas o prazer imenso em poder desfrutar do meio ambiente e vencer o instinto natural dos peixes, com técnica e habilidade. A frase proferida por Ernest Hemingway é o melhor exemplo que posso encontrar: “Se a pesca fosse simplesmente a captura de peixes eu já teria deixado de pescar há muito tempo”.

E quando a pesca é com fly fica ainda mais envolvente, mais completa e bem mais divertida. O Flyfisher que pesca com técnica e estilo não está buscando peixe grande, mas quer sim se envolver com grandes peixes.