Voltar ao início!

 
   
BUSCA DIRETA
Dicas
Eventos
Memórias
Novidades
Opinião
Técnicas
Turismo
Informações

Receitas para Atar

Humor

Fotos

Colaboradores

 

O RIO DA MINHA VIDA
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Chapéu no rio

Dez anos depois de haver conhecido o rio Aiuruoca posso dizer que tenho intimidade com ele, afinal foram dezenas de viagens e somados os dias de pescaria, o total ultrapassa um ano. Muitas alegrias já foram vividas nesse local e a cada pescaria novas surpresas e conhecimento são experimen-tados. Foi nesse trecho do rio que peguei minha primeira truta selvagem com fly e também a primeira truta com a pheasant tail atada por mim. Conheço bem, aproximadamente, 6 km de rio e razoavelmente outro tanto, onde já fiz excelentes pescarias, mas é aqui, no trecho em frente à pousada que o Aiuruoca tem me dado as maiores alegrias. E desta vez não foi diferente.

Quando cheguei para ministrar mais um curso de casting, localizei uma truta de bom tamanho bem defronte ao restaurante, naquilo que chamamos de “feeding area”. No sábado à tarde chamei os dois alunos para ensinar técnica de aproximação e leitura de água e puderam ver, com o auxilio dos óculos polarizados, a grande arco íris bem a vontade no rio.

Truta grande
Truta no rio Aiuruoca

No domingo bem cedinho antes do início da aula localizei a trutona no mesmo lugar, mas preferi arremessar há uns 40 metros mais abaixo, para preservar o lugar. Afinal o meu nível de adrenalina estava alto, pois não é todo dia que se vê uma truta daquele tamanho. Quando os alunos chegaram pude demonstrar na prática o que havia ministrado até então, capturando um exemplar de truta selvagem após a haver localizado na parte intermediária da corrente de água.

Ao encerrar a aula, no período da manhã, localizo a trutona comendo no mesmo lugar, e comunico aos alunos que vou capturá-la. Monto o equipamento, vara Thomas & Thomas # 3, modelo PA, carretilha Waterworks/Lamson L 1 e leader 5X com 9’ em razão da água estar muito clara. Na ponta do tippet uma pheasant tail/bead head atada em anzol Hayabusa 12 XL. Entrego a câmera fotográfica para o Nilton, um dos alunos, e peço à ele que fotografe as cenas da captura da truta. O outro aluno, Sílvio, acompanha tudo com muita atenção e interesse.

Posiciono-me no rio, há uns 15 m do local escolhido pela arco-íris e faço o primeiro arremesso rio abaixo, faço o segundo e no terceiro sinto o interesse da truta pela mosca. Aviso aos alunos que a possibilidade de engate é boa e, arremesso novamente há uns 3 m do ponto X e deixo a mosca descer. A entrada da truta foi rápida e de uma só vez, fisgo e com a ponta da vara erguida sinto a força do peixe puxando linha e nadando em direção a corredeira, na parte mais profunda do rio. Os alunos vibram e chamam as nossas anfitriãs, Valquíria e Tamiris, que correm para assistir aos saltos e corridas da “arco-íris criada” tentando se livrar do anzol.
Indiferente à vibração da torcida a truta salta e nada em direção da correnteza, onde a pressão da água é muito forte, e isso faz com que a vara se dobre vigorosamente forçando a liberação de linha para não romper o tippet.

Uma truta com mais de dois quilos é manhosa e com toda certeza já enfrentou – nos seus três primeiros anos de vida - muitos outros desafios e possivelmente até o anzol de outro pescador.

Tentando se livrar do anzol a arco-íris mostra toda sua experiência, quando sai velozmente da corredeira e nada em direção ao barranco, procurando água rasa, e nesse momento eu cometo o erro de travar a linha entre meus dedos e o cabo da vara. Foi o bastante para romper o tippet 5X e a truta escapar. Minha alegria não diminuiu por isso, pois eu havia tido mais uma experiência maravilhosa no rio Aiuruoca.

LF arremessando no rio Aiuruoca
Os comentários durante o almoço foram sobre o ocorrido e também pelo fato de não haver sido feito o registro fotográfico da trutona. Mas todos estavam de acordo que fora uma coisa incrível, o fato de presenciar in loco aquilo que se ensina no curso.
Presente da Tamires

Tamiris, (filha do Otávio, dono da pousada) com dez anos de idade e seu jeito meigo de olhar, estava atenta a tudo ao que se falava e se retira para cozinha e, meia hora depois, volta com um desenho para me entregar. Eu me lembro dessa garotinha ainda bebê e tenho acompanhado, ainda que a distância, o seu desenvolvimento, e aquele desenho foi o melhor registro fotográfico que eu poderia ter. Melhor até que a luta que acabara de ter com a maior truta que já pesquei no Aiuruoca. Por isso, tenho certeza que o “Rio da minha vida” ainda tem muita coisa boa reservada para mim.