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SANDRINHA
Webdesigner e Flyfisher

 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Flyfisher

Foi durante a reconstrução do meu site que a webdesigner Sandra Regina demonstrou interesse pelo flyfishing, mas como essa reação é natural entre as pessoas urbanas, dei atenção mas não dei importância à manifestação de curiosidade. No entanto, a cada seção refeita o interesse da Sandrinha aumentava até que um dia ela me disse que tinha muita vontade de experimentar as emoções que estava transportando para a via cibernética.

Em curso

Em outra ocasião, numa conversa de poucos minutos, detectei que havia realmente vontade em aprender e se dedicar ao flyfishing e ficou combinado que eu iria ensinar os “segredos” do método de pesca que mais cresce no mundo. E foi no laguinho do sítio que a Sandrinha teve contato pela primeira vez que o equipamento de fly, e lá sentiu a emoção de pescar tilápias com um conjunto #5 e moscas feitas de cortiça, imitando a ração fornecida para a espécie.

Recebendo certificado

A partir daí ela foi definitivamente “picada pelo flyfishing” e o próximo passo seria no sentido de fazer o curso. Após isso, a recomendação forte para continuar em treinamento foi feita, como de hábito, para não esquecer os conhecimentos adquiridos. O treinamento prático teve início, com algumas idas ao laguinho do sítio e muito treino técnico no Parque Villa Lobos, em São Paulo.

Em treinamento

Um novo tipo treinamento foi acoplado: exercitar a paciência e controlar a expectativa de pescar “de verdade”, como ela mesma diz.

Até que a oportunidade para por a prova os conhecimentos adquiridos chegasse, a Sandrinha foi se esmerando em conhecimentos técnicos e teóricos sobre flyfishing. Até por isso, meu site foi ganhando mais acessibilidade e navegabilidade, pois passou a ser gerenciado por uma webdesigner que entende do assunto.

Fragária

A tão esperada oportunidade para pescar “de verdade” surge no feriado prolongado de outubro, e para pescar trutas selvagens no estilo, no rio Aiuruoca, em Itamonte-MG.

Pescando em família

Os pais da Sandrinha também manifestaram interesse em pescar e levei equipamento para todos, incluindo wader e botas, pois a água do Aiuruoca é muito fria, mesmo na primavera. Lá na pousada Fragária tudo me agrada muito, inclusive a reação das pessoas que chegam pela primeira vez. Isso é natural, pois mesmo depois de dezenas de idas, eu me emociono que chego ao lugar.

Pimeira truta do Reinaldo

Aproveitamos a tarde ensolarada do sábado para um “aquecimento” na cachoeira e praticar a descida pelo rio, até a pousada. Após rápida orientação o pai da Sandrinha, Reinaldo, já fazia arremessos com o equipamento # 5 e linha WF F, tendo uma Woolly Bugger marrom, atada com bead head em anzol #12. E foi durante a descida do rio que o Reinaldo fisgou sua primeira truta no fly, para alegria de todos. Durante o jantar a conversa rolou animada sobre a paisagem exuberante, a transparência das águas do Aiuruoca e a arco-íris capturada.

Primeira truta da Vera

Na manhã de domingo fomos pescar na piscina do LF, um lugar a quinhentos metros rio acima, onde ministro os cursos. Lá posicionei a Vera, mãe da Sandrinha, nas pedras onde se forma o encachoeiramento das águas e mostrei onde lançar e como trabalhar a Pheasant Tail atada com dois bead head em anzol # 12 XL.

LF - o instrutor

Quatro arremessos depois, a truta foi fisgada e a Vera, com muita alegria, pode comprovar a emoção de pescar com fly. Depois de assistir ao Reinaldo e Sandrinha, peguei outra truta com equipamento # 3. O tempo havia mudado e a chuva miúda caia de vez em quando, apesar da pressão atmosférica não haver sido alterada. Isso diminui a atividade dos peixes, mas como sempre digo: Sandrinha no AiuruocaEles não saíram para o mato, estão dentro d’água e é preciso saber como tirá-los de lá. Após o almoço, descemos novamente o rio, no trecho entre a cachoeira e a pousada, esperando o momento para pescar na piscina que se forma após a confluência do ribeirão João Pereira e o Aiuruoca. A Sandrinha estava um pouco desapontada consigo mesma, pois até o momento não havia capturado nenhuma truta, e aproveitei a oportunidade para ensinar que perseverança é a arma secreta do flyfisher.

Sandrinha no Aiuruoca

Já no final da tarde, posicionei o Reinaldo na entrada da piscina e a Sandrinha na confluência das águas, até que começou a eclosão de may fly, um espetáculo comum, mas de grande beleza. É nesse momento que as trutas entram no processo conhecido como “seletividade” e passam a se alimentar somente daquele inseto, e a mosca tem que ter o mesmo tamanho, formato e cor. Orientei a Sandrinha para alongar o tippet 5X e amarrar uma may fly igual às que estavam eclodindo, e usasse a técnica do dead drift.

A primeira truta na dry fly

E foi no segundo arremesso que ouvi o grito de alegria da Sandrinha anunciando que havia pego sua primeira truta no fly, e após haver trabalhado o peixe, com certa dificuldade, consegue colocá-lo no passaguá para a foto. Visivelmente emocionada pela recompensa a flyfisher se recompõe e parte para outra tentativa, e qual não a surpresa ao ver a arco-íris abocanhar sua mosca e nadar rio abaixo para em seguida saltar na tentativa de se livrar do anzol.

A segunda truta na dry fly

Outro salto da truta e percebo que a Sandrinha já maneja melhor a situação, pois conseguiu na seqüência, “encaçapar” o peixe. Outra foto e fica registrado o sorriso de felicidade, mas é preciso parar de pescar pois a noite chega rápido e é falta de ética pescar na escuridão.

Sandrinha mostrando habilidade

Durante o jantar pude constatar, mais uma vez, a alegria da família pelos momentos vividos e a alegria de pescar com fly. Afinal, a estréia da Sandrinha foi em grande estilo: trutas selvagens no rio Aiuruoca, vara Thomas & Thomas modelo Vector # 5, linha Rio WFF e captura com tippet # 5 e Adams # 14. Nos dias seguintes outras trutas foram capturadas, por todos nós, o que os levou a desejar voltar após o verão, período em que as chuvas impedem o acesso ao lugar. Mas já se fala em aproveitar o período para pescar outras espécies, por esse Brasil afora, até chegar o momento de voltar para o Aiuruoca, o rio da minha vida.