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SPRING CREEK
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Almoço no rio Rivadávia

Quase ao final de V Congresso de Salmonídeos, realizado em Esquel, na Patagônia Argentina, recebi o convite do Jorge Graziosi para ir pescar em Cholila. Reorganizei minha agenda, pois não poderia deixar escapar a oportunidade de conhecer uma das regiões mais belas do mundo para a pesca de trutas e salmões.

A pousada do Jorge é muito bem arrumada, com cômodos amplos e aquecidos e como estávamos no início da estação, tive a honra de comer a comida feita pelo próprio Jorge. O grupo estava formado pelos amigos Daniel Ontiveros e Marcelo Lino, ambos da Asociación de Pesca con Mosca Del Neuquén, e eu.

Sob a liderança do Jorge, os dois primeiros dias de pescaria foram ótimos, mas a surpresa estava reservada para o último dia. Logo ao amanhecer saímos em direção ao lago Rivadávia, para dali pescar embarcado no rio do mesmo nome. As trutas começaram a sair já no lago, e na boca do rio os salmões deram o ar-da-graça. Muita ação e os dois botes – Daniel com Marcelo e eu com Jorge – seguiam rio abaixo desfrutando das belezas e das trutas.

Acampamos para almoçar e Jorge avisa que iríamos pescar um pouco mais abaixo em um Spring Creek – riacho formado pelo degelo -, cuja localização é mantida em segredo.

Ao ouvir isso a adrenalina aumentou de tal maneira que perdi a fome. Comecei a buscar na mente todas as informações que eu havia obtido sobre a pesca em Spring Creeks e imediatamente providenciei um conjunto para a ocasião.

Após nos aconselhar sobre como se portar no riacho, Jorge distribuiu o grupo e literalmente nos camuflamos nas margens, espreitando pelas trutas. Pendurei a máquina fotográfica em um galho, prontinha para registrar o momento do engate, pois tinha certeza que isso iria acontecer.

A posição agachada, entre arbustos e com capim alto, não permite boa visualização mesmo com óculos polarizados, de maneira que os arremessos são curtos – até 12m – e sem ver o peixe. Quase 40 minutos depois, com as pernas adormecidas pela posição incômoda, vejo uma arco-íris a uns 5m de mim.

LF no Spring Creek
A trutona parecia que flutuava no ar, de tão limpa e clara que são as águas do riacho. Recolhi a linha sem fazer barulho, calculei a distância até o peixe e arremessei em “parachute” a Light Cahil amarrada em anzol 12, há mais ou menos um metro na frente da truta. A mosca caiu n'água e o submarino ligou o turbo e partiu pra cima dela e ao ver a isca sumir da superfície, fisguei e senti o tranco seco e vigoroso.
Spring Creek

Fiquei em pé para melhorar as condições de luta e foi aí que a arco-íris saltou fora d'água, só não a perdi por que estava bem fisgada. O estrondo provocado pela truta ao cair na água fez com que meus amigos percebessem a briga e gritassem saudando o feito. Consegui trazê-la e com o coração disparado liberei o peixe para a vida e só então me dei conta que não havia feito a foto. Não faz mal, fica para a próxima oportunidade, já com mais experiência em pescar em lugar único: O Spring Creek do rio Rivadávia.