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TUCUNARÉ - Identificação Científica
ENTREVISTA EXCLUSIVA

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Os pescadores, em geral, quando estão no exercício da atividade gostam de dar um tratamento pessoal aos peixes chamando-os por nomes diversos, tais como: bichão, cavalo, égua, menino, baita, lindão e vai por aí afora.

O uso irregular da licença poética pode ter sido responsável, também, pelos nomes que os pescadores "batizaram" os tucunarés, que passaram a ser chamados de acordo com sua aparência e assim os temos descritos popularmente como: tucunaré paca, azul, amarelo, borboleta, vermelho, etc. etc. Mas será essa a denominação correta para a espécie mais importante e que caracteriza o esporte no Brasil?

Pescar e soltar

Para conseguir a informação correta, do ponto do vista científico, sobre a classificação dos tucunarés consultamos o Prof. Dr. Efrem J.G. Ferreira - ictiólogo e pesquisador do CPBA/INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - que estuda a espécie há aproximadamente dez anos. Ele é sem dúvida a maior autoridade sobre o tema no Brasil e uma das maiores no mundo.

Nesses estudos o Prof. Efrem já identificou cientificamente - até o momento - cinco espécies de peixes do gênero Cichla, que são: Cichla ocellaris, Cichla intermédia, Cichla monoculus, Cichla orinocencis e Cichla temensis.

De acordo com o Prof. Efrem, não existe uma maneira fácil e rápida de separar as espécies já que devem existir, pelo menos, outras dez ainda não descritas pela ciência. De modo geral, continua o Prof. Efrem, e grosseiramente podemos separar estas cinco espécies da seguinte maneira:

Cichla temensis: é a espécie mais alongada, tem mais de 100 escamas numa linha lateral, aparentemente restrita a águas pretas.

Cichla monoculus: é a espécie mais comum na calha do rio Amazonas, pode ser diferenciada pela presença de uma mancha longitudinal sob as nadadeiras peitorais, tem de 3 a 4 faixas verticais que quase nunca atingem o ventre.

Cichla ocellaris: espécie parecida com Cichla monoculus, mas tem sua distribuição restrita à Guiana.

Cichla orinocencis: é diferenciada por apresentar três manchas em forma de ocelo nos lados do corpo, parece restrita aos rios Negro e Orinoco.

Cichla intermédia: tem o corpo com várias listras verticais, sete ou mais, e está restrita aos rios da Venezuela afluentes do Orinoco.

Estes são indicativos que poderão servir para auxiliar na identificação das espécies, mas como existem várias outras e algumas podem ter características semelhantes, é preciso ficar muito atento para os detalhes e, um bom auxiliar na identificação é saber com certeza a procedência do exemplar, conclui o Prof. Efrem.

Então vejamos: das cinco espécies identificadas, a "intermédia" está restrita a Venezuela e afluentes do rio Orinoco. A "orinocencis" está restrita aos rios Negro e Orinoco, a "Ocellaris" só na Guiana e a "temensis" às águas pretas. Restou uma, a "monoculus" que pela descrição parece ser a espécie que predomina no Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Não será, portanto, temeroso concluir que os exemplares de tucunaré "azul, amarelo e paca", pertencem a mesma espécie.

Assim, quando estiver pescando e se desejar não correr o risco de "assinar recibo de desconhecimento ictiológico" o melhor procedimento será o de chamar o peixe somente de tucunaré. Ainda que acompanhado pelo uso da licença poética: "Vem cá estrupício, ... coisa linda, ...nenê," etc. etc..

Para ler "Galeria dos horrores" clique aqui.