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TUCUNARÉ COM SOTAQUE

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Foi durante a realização da Feipesca em 1999 que conheci o Trevor Bross, gerente internacional da Thomas&Thomas Rodmakers e de lá pra cá nossas conversas evoluíram bastante, a ponto de obtermos o patrocínio para o Brasil Fly Fishing Team disputar os campeonatos mundiais. Inevitavelmente nossas trocas de informações incluíram os peixes de lá e os de cá. E o desejo manifestado pelo Trevor, após a Feipesca desse ano era de pescar "peacok bass", ou seja, o nosso querido tucunaré.

A vontade era tamanha que a cada e-mail ou conversa telefônica antes da feira, o Trevor perguntava-me se já estava tudo arranjado para a pescaria. Minha maior preocupação estava na situação provocada pelo rigoroso e atípico inverno que tivemos nesse ano, que matou milhares de tucunas nos grandes lagos do Estado de São Paulo, obrigando os peixes sobreviventes a permanecerem em águas profundas e afastados das margens.

Pedi ajuda à várias pessoas para que observassem o comportamento dos "bocudos" , como por exemplo em Presidente Epitácio, considerado como o melhor ponto para pescaria com qualidade e quantidade de tucunas. Mas foi somente durante a semana da realização da feira que a decisão foi tomada, por que todas as notícias que chegavam mostravam que não havia ocorrido mudança na situação. O melhor local, nas condições existentes, foi a cidade de Santa Clara do Oeste, nas divisas com Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, na pousada Bass Pavão, do meu amigo Padilha.

LF e Trevor em Santa Fé

Além do Trevor e eu, estavam juntos o Lusca, e os dois holandeses Peter e Martin, da Ari 't Hart, que expuseram suas famosas carretilhas na feira. Na entrada de Santa Fé do Sul, nossos acompanhantes se surpreenderam com o monumento erguido na entrada da cidade e fizeram "uma tonelada" de fotos.

Como havíamos chegado na pousada por volta das 16h, o pessoal insistiu em sair para fazer um reconhecimento do lago e dar uns pinchos, para aproveitar o entardecer.Graças a organização feita pelo Padilha, os barcos estavam prontos e no retorno, já ao anoitecer, a turma estava maravilhada com o lugar e ações que tiveram. Os próximos três dias prometiam muita alegria e divertimento na pescaria.

< sentido <
Padilha e seu filho Carlos, Luiz Fernando, Trevor, Martin, Peter e Lusca

Pousada Bass Pavão
LF e tucunaré azul

Se por um lado havia poucos engates de tucunarés em razão da água ainda continuar abaixo da temperatura ideal, por outro lado o pessoal estava encantado com a beleza do lugar, com a boa e farta comida e o conforto da pousada. Localizar os peixes não foi tarefa fácil, mesmo para os guias experimentados que trabalham na pousada, mas cada um de nós conseguiu fisgar alguns e evidentemente soltá-los.

Para o último dia de pescaria, o Padilha organizou o almoço que foi servido a margem da represa sob a sombra de arvores frondosas. Como prato principal, nada menos que duas matrinchãs assadas na brasa, que foram trazidas da fazenda no Mato Grosso, para a ocasião. Os estrangeiros se sentiram como verdadeiros homens da selva e não cansavam de elogiar a comida e situação em que foi servida.

Trevor e Adams em ouro

No início da noite, já na pousada, reunidos na varanda do chalé, aguardando que o jantar fosse servido, trocamos idéias sobre a experiência deles em pescar "tunucaré", "tucanuré" "tucknore" pois somente com muito esforço conseguem pronunciar o nome correto. Foram unânimes em elogiar nosso peixe e a beleza do lugar onde ele habita. Após o jantar surpreendi o Trevor oferecendo à ele, em nome do Brasil Fly Fishing Time, uma mosca Adams - peça única - feita à mão e em ouro 24 k, em agradecimento a tudo que ele tem feito por nós.

Para ler a matéria "Tukunarê" clique aqui