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TUKUNARÊ
Por:
LF Pinheiro
De acordo com Max H. Boudin em seu dicionário de tupi moderno, dialeto tembé-ténêtéhar do alto do rio Gurupi, volume I, Tukunarê significa ‘pescada de água salgada’.
Já no dicionário Houaiss da língua portuguesa o vocábulo “tucunaré” aparece como substantivo masculino, e é mencionado pela primeira vez em 1631. Ainda de acordo com o dicionário, trata-se de um peixe teleósteo, perciforme, da família dos ciclídeos (Cichla ocellaris e Cichla temensis), do rio Amazonas e afluentes, com até 60 cm de comprimento e 4 kg de peso, corpo prateado com três faixas transversais acima da linha lateral e um ocelo na base da nadadeira caudal.
Evidentemente os autores subestimaram o tamanho e peso dos “amarelões e azulões”.
Com origem na bacia amazônica, o tucunaré foi sendo gradualmente introduzido nas demais bacias hidrográficas do país e atualmente pode ser pescado até no Paraná.
Qualquer que tenha sido a metodologia de introdução da espécie, fora do seu habitat natural, não é possível ignorar o fato que esses indivíduos estão definitivamente instalados e que é impossível erradicá-los.
Alegações simplistas e sem fundamento técnico-científico de que poderão provocar alterações significativas no meio ambiente aquático onde foram introduzidos, contradizem o fato de que o tucunaré convive há milhares de anos com outras espécies de peixes em sua bacia original. E não há nenhum estudo científico neste sentido, feito ou em andamento no país.
As diversas e abundantes espécies de tucunarés encontradas no Brasil (doze identificadas e cinco catalogadas, de acordo com o Professor Efrem Ferreira) parecem não serem suficientes para mudar a posição
jurássica adotada pelo IBAMA, que ainda resiste em regulamentar e proteger a espécie com norma específica.
Aliado a isso têm os chamados “empresários” que atuam no segmento, promovendo o extrativismo característico daqueles que não se importam com os resultados negativos a médio e longo prazo. O lema dessa gente é “O que importa é quanto entrou no caixa hoje”.
Enquanto o tempo passa e exemplares de tucunarés de grande porte são indiscriminadamente abatidos no país, a Venezuela vai ganhando espaço na mídia internacional com a promoção da pesca esportiva em suas águas. O nosso vizinho tem exposição mundial em todos os veículos que atuam nesse nicho, obtendo com isto um faturamento e geração de empregos dignos de nota.
No início dos anos 90, no século XX, um convênio realizado entre pesquisadores venezuelanos e norte americanos, possibilitou a introdução de tucunarés (peacok bass) na Florida, e hoje grandes exemplares podem ser pescados nos canais da região de Key West. Isto significa mais produção de equipamentos, mais empregos e melhor qualidade de vida para os “gringos”.
Na mesma época, a espécie foi levada para o Havaí, onde tem o nome de tucunaré, e hoje contribui significativamente para o setor de pesca esportiva da ilha.
Enquanto isso, aqui no Brasil, a miopia administrativa dos envolvidos na área encarduma-se qual piranha entre nós, devorando nossas esperanças de também participar plenamente daquilo que é nosso de fato e de direito. Por outro lado, setores de gerenciamento devidamente esclarecidos, de outros paises, estabelecem a competição ordenada e regulamentada das espécies, para que o Homem possa continuar a viver com dignidade, tendo trabalho, comida e diversão.
Abaixo e por espécie cientificamente classificada, os resultados homologados internacionalmente pela IGFA até março/2001. A ausência do nosso país no ranking não deve ser vista como discriminação, mas sim como incompetência dos que ditam as regras.
Cichla Temensis |
Tippet |
Peso |
Local |
Data |
Flyfisher |
2 lb |
6-0 |
Rio Cirinoco
Venezuela |
05/02/86 |
Bert Bookout |
4 lb |
13-0 |
Rio Cirinoco
Venezuela |
19/03/86 |
Walter Fondren |
6 lb |
8-8 |
Rio Paraguai
Venezuela |
28/03/97 |
Dr. Scott Swartz |
8 lb |
16-5 |
Rio La Pica
Venezuela |
24/02/93 |
Tex Chandler |
12 lb |
16-15 |
Rio Bita
Colombia |
16/04/88 |
Warren Brewster |
16 lb |
19-0 |
Rio Pasimoni
Venezuela |
14/11/92 |
Elverton Clark |
20 lb |
25-8 |
Rio Pasimoni
Venezuela |
10/11/92 |
Bert Bookout |
| Cichla Ocellaris |
Tippet |
Peso |
Local |
Data |
Flyfisher |
2 lb |
5-8 |
Homestead
Florida |
19/03/00 |
Herb Ratner |
4 lb |
8-0 |
Sunshine Ranches
Florida |
20/04/00 |
Jay Wright Jr. |
6 lb |
6-0 |
Homestead
Florida |
09/03/00 |
Herb Ratner |
8 lb |
10- 0 |
Rio Paraguai
Venezuela |
23/03/97 |
Dr. Scott Swartz |
12 lb |
6-4 |
Miami Dade Canal
Florida |
13/01/00 |
Martin Arostegui |
16 lb |
6-0 |
Rio Matevani
Colombia |
22/02/99 |
Steven Jensen |
20 lb |
10-4 |
Rio Matevani
Colombia |
22/02/99 |
Steven Jensen |
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Cichla Intermedia |
Tippet |
Peso |
Local |
Data |
Flyfisher |
2 lb |
Vago |
Vago |
Vago |
Vago |
4 lb |
Vago |
Vago |
Vago |
Vago |
6 lb |
Vago |
Vago |
Vago |
Vago |
8 lb |
3-0 |
Rio Nichare
Venezuela |
19/10/99 |
Ed Rice |
12 lb |
Vago |
Vago |
Vago |
Vago |
16 lb |
Vago |
Vago |
Vago |
Vago |
20 lb |
1-8 |
Rio Ventuari
Venezuela |
15/3/00 |
Dr. Scott Swartz |
Para associar-se a IGFA ou obter informações:
E-mail:
igfahq@aol.com
Site :
www.igfa.org
Fica a pergunta: Até quando o nosso país estará ausente do cenário internacional da pesca esportiva?
Se você deseja conhecer um pouco mais sobre tucunarés,
clique aqui para ler matéria “Tucunarés – Identificação científica”.

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