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UMA PEQUENA HISTÓRIA
- ou coisas que só Flyfishing possibilita -
Por: Maurício Costa
Fotos: arquivo do autor e by LF
Já
faz tempo, foi em 1994 que trouxe de Miami um conjunto
quase um combo para Fly com potência #8. Como na
época absolutamente ninguém que eu conhecia pescava com
moscas, e Internet para eventuais pesquisas nem pensar,
pois ainda não existia aqui, guardei o quase
combo no fundo do armário e esqueci o Flyfishing.
Depois de uns anos, numa pescaria de tucunarés na Ilha
Solteira, conheci dois “cabeção” do Flyfishing no
Brasil: O Silvio... de Ibitinga/SP e Gregório, o Le, de
São Paulo. Que maravilha, que bonito, que produtivo...
que difícil! Parecia tão fácil vendo eles arremessando!
Chequei em casa e montei meu quase combo e no
primeiro false cast, a vara quebrou. É sim, quebrou. De
novo fiquei triste, desanimei e quase abandonei esse
“tal de fly”.
Alguns anos depois começou aparecer um monte de gente
pescando com moscas e também alguns amigos. Papo vai,
papo vem, lembrei da vara quebrada no armário...
Apareceu então um maluco metido a prof. Pardal que
consertava tudo, inclusive vara de fly. Levei minha vara
quebrada e ele consertou, e funciona até hoje.
Minha
sorte estava mudando e o Rodrigo, amigo meu e excelente
pescador, dono do Pexe Louco, um pesqueiro bem legal
aqui perto de Bauru/SP, foi o primeiro a me ensinar os
princípios do Flyfishing com alguma propriedade. Daí pra
frente foi por pura necessidade de aprender mais, e em
primeiro lugar obtive o DVD
Flyfishing – os primeiros
passos com LF – e depois veio a chance de fazer o curso de
aperfeiçoamento na Fragária/MG, no rio Aiuruoca, sala de
aulas LF, lugar fantástico, bonito e mágico.
É
claro que nesse meio tempo eu comprei uma vara boa,
investi num conjunto melhor, pois o que eu tinha era uma
porcaria. Serviu muito bem pro começo da prática.
Aprendi muito com o LF e sou grato. O cara tem as
manhas, tem muita história pra contar, tem um repertório
de vivencias incrível, entre elas ter conhecido e
trabalhado com o Mel Krieger em pessoa, ao vivo e a
cores, e teve o invejável privilégio de ser seu
discípulo e instrutor auxiliar. Paaaara!
Comecei a entender melhor o universo da pesca com mosca
e poder aplicar os conhecimentos adquiridos nas inúmeras
pescarias realizadas mundão afora. Hoje percebo como foi
importante ter um bom mestre, é tranqüilo ter alguém que
sabe ao seu lado, com paciência para aquelas perguntas
ridículas e às vezes engraçadas.
Nesse
ano eu e meus amigos trouxemos o LF pra Bauru/SP pra
ensinar um pouco de atado. Foi um fim de semana bem
interessante e produtivo e teve tempo para uma clínica
rápida de Fly Casting. Foi muito legal e gratificante.
Hoje,
optei por uma grade de varas pares e tenho desde a
suavidade da vara #2, até a
brutalidade da vara #10, e já tive oportunidade de usar
todas. E cada uma delas já tem história pra contar e a
última aconteceu na pescaria no Rio Coluene, começo do
rio Xingu, lugar de peixe bom, na Bacia Amazônica perto
da reserva de várias tribos de índios. Esses índios
eventualmente apareciam na pousada com artesanato e
outras coisas pra vender.
Num
final de tarde, ao chegar do rio, estava bebendo uma
cerveja quando apareceu um índio com seus três filhos
pequenos. Papo vai, papo vem e comprei um belo remo de
sucupira do sujeito. Vejo os indiozinhos remelentos
pendurados no pai e pergunto o nome dos três. É claro
que ele me apresenta cada um com seu respectivo nome
indígena e seu significado traduzido, muito lindo.
Vem o
silencio e depois com um enorme sorriso na cara, o índio
diz orgulhoso:
-
Arrumei nome mais bonito pra eles, esse é Willian Bonner,
este outro é Luxemburgo e a menina é Madonna! Obvio que
rolei de rir e molhei as calças.
Depois de recomposto ele vê minha vara de Fly e curioso
pergunta a respeito com o maior interesse do mundo.
Mostro as moscas, arremesso um pouco, floreio no false
cast e vejo que ele fica maravilhado. Conto um pouco da
estória do Fly e quando no meio de um depoimento digo
“Flyfisherman” ele está fascinado e pede pra eu repetir,
repetir de novo e novamente, “Flyfisherman”, “Flyfisherman”,
“Flyfisherman”!
Então
ele diz todo orgulhoso: - Já tenho o nome mais bonito
pro meu filho que nasceu, “Flaifichemã – homem branco
que faz linha voar”!
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