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O BANQUETE DAS TRUTAS
Parte IV
Por: Silvia "Sirenita"
Bergamasco*
Tradução:
LF Pinheiro
DRAGON - DAMSELFLIES (alguaciles - libélulas): Odonatos
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Trata-se de uma ordem de insetos muito conhecida e fascinante. São conhecidas como libélulas ou alguaciles e se dividem em dois grupos: Anisóptera (verdadeiros Dragonflies ou Libélulas) e Zygóptera (Damselflies). Estão distribuídos por todo o mundo, ainda que a maioria das espécies habite em zonas quentes. Para diferenciá-los basta vê-los em seu estágio alado e a resposta está em suas asas: as Zygópteras as dobram verticalmente sobre o lombo, formando um ângulo com a cauda; as libélulas verdadeiras ou Anisópteras estendem a asas horizontalmente para fora. |
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São insetos de ciclo incompleto, os ovos são depositados dentro do tecido vivo das plantas, na água ou barro das margens. Dependendo do clima, alguns ovos levarão meses para eclodir, porém, em zonas quentes algumas espécies podem demorar somente cinco dias. As ninfas vivem preferencialmente em águas calmas dos rios, lagos e lagoas. As ninfas de Zygópteras nadam flexionando o abdome de um lado para o outro, enquanto que as Anisópteras tendem a caminhar, mesmo podendo aumentar sua velocidade por meio de um jato de água que expulsam através do seu orifício respiratório. As larvas são carnívoras e detectam suas presas através da visão, capturando-as com a mandíbula inferior que é extensível e retrátil, em movimentos muito velozes. |
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As ninfas de Zygóptera se caracterizam pelo seu longo e estilizado abdome que termina em três caudas. Possuem um tórax robusto e curto, do qual pendem suas longas patas. Apresentam olhos grandes e salientes. Suas cores se mimetizam com as do fundo, em geral marrom e oliva, seu tamanho oscila entre 3 e 6 cm e algumas podem viver em águas rápidas. |
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As ninfas de Anisóptera são bem mais curtas e robustas, de corpo cilíndrico e chato, longas patas e cabeça grande com olhos proeminentes. Podem medir até 6 cm, são de cor tabaco, marrom, parda ou oliva e habitam águas tranqüilas. |
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Algumas moscas que imitam ninfas de dragonflies: |
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* Marabou Damsel Nymph – Bar Damsel – Alice Damsel – Seal Fur Nymph |
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A eclosão acontece com a maioria das espécies numa certa época do ano, ao longo de um período com duração de aproximadamente um mês. Muitos indivíduos emergem durante a noite para evitar serem devoradas por seus depredadores, porém em climas mais frios, o fazem ao amanhecer. Para efetuar a metamorfose final se deslocam até a margem até alcançar terra firme de onde permanecem quietas até que sua pele seque e se rasgue pelo lombo. Uma vez conseguido desprender-se da sua velha couraça (tarefa bastante difícil), secam suas asas ao Sol e empreendem vôo. A coloração final é obtida em alguns dias, nas Zygópteras os machos se distinguem por suas cores brilhantes, ao passo que as fêmeas apresentam cores opacas. Nas Anisópteras as cores são mais opacas e voam mais rápido que as Zygóptera, os quais necessitam descansar intermitentemente.
As Zygópteras adultas têm um abdome longo e fino e dois pares de asas que dobram sobre o dorso. Os olhos são grandes e separados entre si, enquanto que nos Anisópteros se juntam. As cabeças e caudas são longas e em geral negras e, suas patas são preparadas para agarrar e não para caminhar. Alimentam-se de outros insetos, como os mosquitos e mayflies, apanhando-os no ar de maneira voraz.
A forma com que se acasalam os odonatos é única em todo o reino animal. Quando o macho localiza a fêmea, a agarra com suas patas, geralmente sem cortejo prévio. O casal pode permanecer acasalando-se por uns poucos minutos (em algumas espécies de damselflies o acasalamento acontece em vôo e os dragonflies adotam esta modalidade normalmente) até duas horas, descansando na vegetação. A fêmea desova de diversas maneiras: as vezes o faz enquanto o macho a sujeita e em vôo rasante sobre a água, ela deixa cair os ovos no lugar escolhido. Em outras ocasiões, o macho submerge a fêmea dentro da água sustentado-se no talo de alguma planta aquática enquanto ela deposita os ovos na parte submersa da planta, para que permaneçam molhados. Também pode suceder que depois de voar em círculos e encontrar uma área apropriada, o macho solte a fêmea na água, para que ela afunde e possa depositar os ovos no fundo. Feito isso a fêmea emergirá rapidamente para encontrar com seu companheiro que a aguarda ansiosamente.
Algumas moscas que imitam adultos de dragonflies:
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* Dragon Fly – Adams Dragon |
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Algumas moscas que imitam adultos de damselflies:
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* Damsel Fly – Adult Blue Damsel – Foam Damsel Fly – Parachute Damsel – Braided but Damsel |
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Como mencionamos na primeira parte deste artigo, as trutas podem ficar tentadas com outros manjares, ampliando nossas possibilidades de capturá-las (e devolvê-las...).
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Peixes forrageiros : a truta se alimenta de puyenes*, peixe-rei e em menor escala de bagres e peladillas*.
N.T.: *= Peixes característicos da Patagônia. Também se nutre de pequenos salmonídeos, especialmente a truta marrom adulta. |
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Ovos : É indicado o uso quando acontece a subida de salmonídeos em rios e riachos que são utilizados para a reprodução. No início da temporada argentina (2ª quinzena de novembro) é possível pescar com imitações desse tipo, uma vez que as trutas arco-íris ainda estão completando sua desova. |
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Crustáceos (pâncoras, scuds, crayfish): contém um pigmento chamado carotina que as trutas e salmões não podem sintetizar, o qual lhes confere a cor característica da sua carne. |
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As Pâncoras são caranguejos de água doce da ordem Decapoda (Deca = dez + podo = pata) e do gênero Aegla. São de forma arredondada e achatada e podem chegar aos 50/60 cm de comprimento. As Pâncoras são exclusivas da América do Sul, vivem em quase todos os lugares do rio e não são boas nadadoras, mas podem caminhar lentamente pelo fundo, graças ao seu formato e suas fortes patas. Dependendo do hábitat, adotam tonalidades diferentes que lhes permitem mimetizar-se com o ambiente. Preferem viver nos fundos rochosos e nas cavidades entre os troncos e ramas submersas onde encontram refúgio. São agressivas, territoriais e carnívoras, porém, apesar dessa perso- nalidade uma tanto antipática, as trutas as devoram com gosto. |
 Os scuds ou camarões de água doce pertencem a ordem Amphípodas (amphi = dupla qualidade + podo = pata) e são comuns em zonas baixas com vegetação. A maioria desses organismos nada freqüentemente próximos ao fundo, embora não o façam de maneira rápida. Os camarões não possuem mecanismos de defesa natural, exceto a camuflagem, e por isso se escondem entre a vegetação ou debaixo das pedras. Ficam mas ativos em períodos de pouca luz e quando anoitece. São pequenos animais semitransparentes, e o que comem, além do seu hábitat, determinam sua coloração. Em geral se alimentam de detritos vegetais e algas. Cada vez que se movem precisam parar para descansar e respirar, se enrolam e vão ao fundo, para logo voltar a sua posição normal e nadar mais um pouco. Suas patas sempre estão em movimento para permitir que circule a água através das brânquias. Uma boa imitação pode dar-nos muitas alegrias, se prestarmos atenção aos costumes desses crustáceos. |
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O crayfish ou lagosta de água doce pertence a ordem Decapoda. Vivem em quase todo tipo de águas, geralmente próximo ao fundo, onde se ocultam entre as pedras, troncos e até fazem buracos na areia e no barro. Ao entardecer saem para alimentar-se de vegetais e outros animais, ficando muito vulneráveis ao ataque das trutas. Não nadam com freqüência e quando o fazem colocam a cauda adiante das pinças, em movimentos repetitivos, para poder detectar e atacar seus inimigos. O tamanho e comportamento do crayfish o tornam muito atrativo para as trutas grandes, que obtêm muito alimento com pouco esforço. E as moscas que o imitam são fáceis de atar. |
Megalópteros: também chamadas mariposas da água ou Dobsonflies, são de pouca importância para o flyfisher em seu estágio alado, já que depositam seus ovos e vivem fora do alcance das trutas. Em compensação, suas ninfas denominadas hellgrammites são dignas de serem imitadas, já que demoram por volta de três anos para alcançar seu |
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Insetos terrestres: grilos, formigas, escaravelhos, vermes, aranhas, gafanhotos, lagartas, entre outros.
A disponibilidade destas criaturas para as trutas ocorre quando acidentalmente caem ou são arrastadas à água. E as trutas não hesitam em sair de um ponto distante para atacar a um desses grandes insetos.
Os gafanhotos e os grilos (da ordem Ortópteros) se encontram disponíveis em abundância nos períodos mais quentes do ano, e se houver vento o ideal é pescar com suas imitações; os escaravelhos (da ordem coleóptero) em seu estágio larval se parecem a um verme filamentoso de corpo cilíndrico muito mais longo que o adulto, e vivem em diversos ambientes como: pântanos, charcos, lagos, lagoas e águas correntes de rios e riachos. Seu estágio adulto é facilmente imitável e os conhecemos como beetles. Com referência as formigas (da ordem himenóptero) o flyfisher pode aproveitar as oportunidades em que estas caem n’água, perto da margem, ao lado da vegetação ou arbustos que cresçam sobre a água. E por último temos as lagartas, as quais correm o perigo de cair das árvores onde produzem filamentos de seda e as trutas grandes não perdem a oportunidade de ter um apetitoso bocado.
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Outras formas de vida:
sanguessugas (leeches), rãs, girinos, camundongos, filhotes de aves, lagartixas, minhocas, etc., etc. |
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Ao longo deste artigo vimos que há infinitas possibilidades de tentar uma truta, e nem tudo está dito e todos nós poderemos descobrir coisas novas. Porém, para que isso ocorra não basta consumir literatura aos montões, saber todos os nomes científicos de memória e converter-se em pescadores de Internet. O verdadeiro flyfisher é aquele que experimenta na água, aquele que sabe onde as trutas estão, aquele que aprende com as surpresas e com os erros. É o que compreende que a satisfação de devolver sã e salva uma truta à água é o melhor prêmio que pode receber. Você decide.
Bibliografia:
La trucha selectiva – D. Swisher, C. Richards – Ed. Tutor – 1997 / La magia de pescar con mosca – A. Maubré – 1998
www.flyshop.com/bench/hatchguide (fotos e textos) /
www.earthlife.net/insects/ (fotos e textos)
www.bcadventure.com/adventure/angling/bugs/ (fotos e textos) / Crayfish: alimento de truchas grandes (Juan P. Gozio) – Boletín Mosquero Invierno 1999 N° 35
Flies for trout (D. Stewart – F. Allen) - /
www.riosysenderos.com
Aegla: el plato fuerte (R. Martín) - Acción de Punta Año 2 – N° 2 (fotos e textos) /
www.flyanglersonline.com (fotos)
*Silvia é empresária – pecuarista – na Argentina e flyfisher por tradição de família. Para mais informações sobre ela leia matéria
Flyfishing também é para mulheres.
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