Uma das
coisas mais difíceis na pescaria é guiar outro guia, e mesmo que o
‘guiado’ não esteja familiarizado com as águas ele conhece os
procedimentos e isso pode facilitar ou dificultar em muito o
trabalho de quem guia.
Desta
vez lá no rio S. Benedito meu guia foi o Marcelo que tem dez anos de
experiência diária naquelas águas, nas quais ele aprendeu o ofício.
Em média ele leva oito pescadores todos os meses para se divertirem
e se emocionarem com as diversas espécies que vivem em águas limpas
e “recheadas” de peixes.
E foi
numa dessas saídas que Marcelo vivenciou sua maior emoção ao colocar
um dos seus pescadores frente a frente com um jaú de 70 kg, pesado
na balança. Conta o Marcelo que este era o sonho desse pescador que
não conteve as lagrimas e chorou como criança ao colocar o peixão no
barco.
Quando
chegamos no Thaimaçu fomos surpreendidos pela entrada de uma massa
polar bem gelada que esfriou muito as águas naquela região e
dificultou bastante a movimentação dos peixes. Mas mesmo assim meu
guia conseguiu encontrar tucunarés, cachorras, bicudas e pacus
borracha com qualidade suficiente para me deixar sorrindo todos os
dias. Foram poucas as vezes que pude ver os peixes primeiro que o
Marcelo, porque esse foi o combinado, pescar somente os peixes que
víamos. Nada de “cabeça de quem cair, diabo de quem fugir”,
pois isso não faz parte do nosso dicionário.
Já no
final do primeiro dia de pesca ele estava contente com os arremessos
que não ficavam presos nas galhadas ou estruturas, graças os
protetores duplos – widless – que uso rotineiramente nas minhas
moscas. Se tem uma coisa que desagrada qualquer guia (eu incluso) é
ficar a todo momento arruinando os pontos de pesca para ir
desenroscar moscas que os clientes insistem em colocar fora da
água.
Ao final da jornada presenteei meu colega com uma lanterna com luz
de xênon que emite um facho de luz longo e poderoso para iluminar
nosso caminho à noite. Desta feita foi a vez dele se emocionar ao
receber o presente, que tenho certeza será muito bem usado.