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LINHAS PARA FLYFISHING
Síntese da história


Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

Linha de seda

Houve um tempo em que as linhas para pescar com fly eram feitas com fibras trançadas de junco e depois com fios trançados das crinas de cavalos. Com a introdução da seda no mercado ocidental, uma nova linha foi criada - por volta de 1870 - a partir da mistura de fios da crina de cavalo e seda. Posteriormente os ingleses começaram a pescar com linhas feitas somente de fios de seda, embebidas em substâncias oleosas que permitiam a flutuabilidade.

Essa situação obrigava o pescador a sair em busca da vara que se adaptasse ao peso da linha, que recebia uma classificação alfabética de "A" até "I", sendo que a linha "A" era para varas leves e a linha " I " para varas mais pesadas. Esta classificação funcionava mais ou menos bem. Imagine-se entrando numa loja para comprar uma linha e ter que localizar, ou já possuir uma variedade de varas (feitas de tiras de madeira) tão grande para atender a sua necessidade. O mito de que fly é elitista pode ter sido criado nessa época, pois era necessário ter muito dinheiro para praticar o hobby. No entanto, fosse qual fosse a dificuldade encontrada o esporte continuava crescendo.

O backing ainda não era usado e o espaço no carretel era totalmente ocupado pela linha de seda. E nos casos em que era necessário, o backing feito com fios de algodão trançados na espessura necessária era usado. Essa importante ferramenta só começou a ocupar lugar de destaque com a introdução dos novos conceitos na fabricação de carretilhas.

Essa situação permaneceu até 1949 quando, após os anos de guerra mundial, os polímeros foram inventados e a primeira linha de fly foi desenvolvida nos EUA.. Mas foi em 1953 que ocorreu um grande impacto na produção de linhas de fly. A partir dessa data as linhas passaram a ser feitas com polímeros envolvendo uma alma (core) de Dracon, o que possibilitou a redução dramática dos custos e permitiu que arremessos longos e precisos fossem feitos.

Com essa inovação o sistema alfabético de medida de peso das linhas foi substituído pelo sistema HCH, que não funcionou bem, gerando muitos protestos entre os pescadores. E no início da década de 60, no século passado, a denominação foi novamente modificada, passando do sistema HCH para o atual sistema de peso e função (ex.: WF1 F, WF6 F, ST6 F) utilizado em todo o mundo. Para melhor entendimento: a linha de fly #1 tem peso de 60 grains - com tolerância entre 54 e 66 grains -, a linha #6 tem 160 grains - com tolerância entre 152 e 168 grains. O peso da linha estará distribuído no seu comprimento, com concentração em determinada porção, de acordo com sua finalidade. Isto significa que uma linha WF6 F com 32m tem o mesmo peso que uma linha ST6 F com 10m.

Com a introdução de novos polímeros obtidos graças as pesquisas realizadas pela NASA, as linhas de fly passaram a atender as mais variadas e exigentes necessidades. Hoje, três grandes empresas - entre elas a Rio Products - se destacam na fabricação destes produtos produzindo linhas com alta tecnologia. Isto na prática quer dizer: resistência, baixa manutenção, durabilidade e conseqüente economia para o flyfisher. O sistema de peso e função utilizado na produção de linhas permite que fabricantes de varas possam produzi-las com especificações condizentes ao uso adequado do equipamento. Em outras palavras, ao comprar uma linha, você já terá a certeza da potência da vara que será usada. Isso possibilita que o flyfisher tenha o máximo rendimento, com mínimo esforço e possa, através da prática, adquirir elegância e precisão nos seus arremessos.

As industrias do segmento que não inovaram durante décadas, mostram sinais de vitalidade nos últimos tempos e, passam verdadeiramente a competir entre si pelo mercado que cresce aceleradamente no mundo todo. Novos produtos são lançados, buscando atender não só a pesca feita em águas frias, mas e principalmente, àquela feita em águas mornas, com destaque para a água salgada. Aliado a isso, a variedade de linhas disponíveis permitem que o flyfisher possa pescar em qualquer condição e em qualquer lugar, utilizando-se desde a tradicionalmente conhecida linha WF até a DeepSea 700 com velocidade de afundamento de 22.8 cm por segundo, passando pelos modelos WindCutter e AquaLux.

O uso de tecnologia de ponta e a competição entre os produtores de linhas, em busca da maior fatia deste rico mercado, favorecessem o surgimento de mais adeptos que encontram nos novos equipamentos grande facilidade de uso, num esporte que era visto com muita reserva pela aparente dificuldade na assimilação das técnicas. Talvez esteja ai a resposta para o vertiginoso crescimento da modalidade e, até por que é muito mais divertido pescar com fly.

Para ver a matéria As Carretilhas para Flyfishing clique aqui