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SOBRECARREGAR A VARA DE FLY É CORRETO?
(Overloading)
Por:
LF Pinheiro
O Início
Até o início do
século XX quando só existiam linhas de seda para a pesca com fly,
era comum e necessário possuir muitas varas de bambu, para que uma
delas se enquadrasse com o peso da linha e, assim ser possível obter
bons arremessos.
Com o advento do
polímero no final da Segunda Grande Guerra e muita pesquisa, a
Cortland, mais precisamente na pessoa do já falecido Leon Chandler,
introduziu um novo conceito para fabricação de linhas e com isso o
padrão de potência vara/linha foi criado.
A partir de 1960 os
fabricantes de varas feitas a com ligas de fibra de vidro, grafite
ou boro e de linhas passaram a oferecer produtos com peso/potência
relacionados, o que permanece até os dias de hoje.
Isso quer dizer que
cada vara para flyfishing é construída para receber uma linha que
foi elaborada para o peso/potência da vara.
A consolidação
A partir do início
deste século ocorre a popularização mundial do Flyfishing e com isso
mais adeptos surgem, o que vem estimular o mercado industrial.
Junto a essa expansão ocorre também a difusão da Internet e o acesso
a informações fica mais fácil e abrangente. É nessa onda cibernética
que surgem mais e melhores produtos com tecnologia de ponta,
instrutores devidamente credenciados e escolas de Flyfishing em todo
o mundo.
O mercado antes
restrito, agora está aberto de maneira democrática a todos os
interessados, incluindo os autodidatas.
Se por um lado a
democratização e facilidade de acesso à informação através da
Internet é liberada para todos, por outro lado os autodidatas
encontram terreno fértil para disseminar a contra-informação e
induzir novos praticantes ao erro. Esses desajuizados invadem blogs,
fóruns e salas de bate-papo, para manifestar opiniões próprias sem
nenhum compromisso com a seriedade, estudo e pesquisa. Infelizmente
na maioria dos casos a falta de editores, jornalistas e moderadores
capacitados permite que informações desencontradas sejam publicadas,
multiplicadas e, pior, permaneçam no ar.
A falta de
responsabilidade
Um dos temas
abordados de maneira irresponsável é o “Overloading”, que traduzido
livremente significa sobrecarregar a vara usando linha com um ou
dois números acima da potência padrão recomendada. Esse recurso é
geralmente utilizado por àqueles que não possuem e/ou não dominam
técnicas de arremesso e, com isso, querem superar a deficiência para
obter arremessos mais longos, como se isso, por si, signifique
pescar mais.
Os defensores desse
procedimento caviloso se apóiam em curtíssimos períodos de
experiência própria e informações disponibilizadas em sites de
fabricantes de linhas, como a Rio Products e Scientific Anglers, os
quais recomendam o uso para algumas de suas linhas de fly,
contrariando frontalmente as regras em vigor estabelecidas pela
AFTMA - American Fly Tackle Manufacturers Association - e os bons
fabricantes de varas.
Tanto a Rio como a
SA são ótimos fabricantes de linhas, mas pecam ao incentivar a
prática do overloading, contrariando não somente a recomendação da
AFTMA, mas de fabricantes idôneos de varas de fly. Além disso, estão
premiando a falta de técnica daqueles que necessitam lançar mão
desse subterfúgio, em prejuízo da sua própria vara de pesca, para
obter arremessos mais longos.
Procurados para se
manifestarem a respeito do assunto a Rio, através do jovem Zack
Dalton – gerente de produtos, respondeu que procede assim porque
isso “é pratica entre os flyfishers”, ou seja, endossam o erro.. A
SA após receber três solicitações, disse que iria enviar seu
comentário, mas até o momento não se manifestou. A Cortland expressa
sua recomendação através do site, baseada nos padrões AFTMA.
O fato
Como regra, todo
jornalista sabe que tem o dever de ouvir todas as partes envolvidas
no fato, ainda que todas ou parte delas neguem manifestação. Só
assim a notícia terá credibilidade, pois contra fatos não há
argumentos.
Assim, no caso do
overloading recomendado por duas empresas fabricantes de linhas para
flyfishing, é necessário ouvir também os fabricantes de varas, pois
como exposto acima, linha e vara são construídas para trabalhar com
eficiência dentro de normas e padrões preestabelecidos.
A Thomas & Thomas,
um dos melhores fabricantes de varas do planeta, através do seu
gerente internacional de vendas, Mr. Trevor, recomenda o uso de suas
varas com o padrão AFTMA de linhas, pois isso evita o stress na
estrutura das varas e garante a integridade do produto. E vai além,
diz que o flyfisher precisa ficar atento ao uso de moscas que
agreguem muita água, ou possuam peso em excesso, pois isso também
propicia o overloading. Contudo, enfatiza que as varas T&T produtos
possuem garantia por toda a vida. Esse é o fato.
Repito, os
defensores do overloading dizem que o uso de um, ou dois números de
linha acima da potência da vara permite arremessos mais longos. Esse
procedimento é a tentativa de justificar a falta de técnicas, com as
quais é possível obter o mesmo resultado sem comprometer a estrutura
da vara.
Esse tipo de
subterfúgio é algo parecido como usar sapatos dois números acima
achando que irá chegar mais rápido ao destino.
A prática, ou
recomendação, do overloading se dá por falta de conhecimento e de
técnicas de arremesso, (característica do autodidata) além de total
desrespeito pelos investimentos feitos em pesquisas durante décadas
pelos fabricantes de varas.
E isso vale não só
para os autodidatas como também para os fabricantes de linhas, que
recomendam o procedimento. Afinal, o inevitável prejuízo não será
lançado na conta deles, mas na dos flyfishers adeptos ao
overloading.
A opção pela
venda em lugar da opção pela técnica
As empresas
fabricantes de linhas que recomendam o overloading, na verdade,
fizeram a opção pelo aumento da venda dos seus produtos, mesmo que
isso signifique prejuízo para o flyfisher e o fabricante de varas.
Esses, por sua vez,
diante do iminente prejuízo com a reposição de partes das varas
danificadas, aumentaram escandalosamente o preço do produto. Com
isso, mais uma vez, quem paga a conta é consumidor, pois antes dessa
“volúpia” pelo incremento das vendas, por volta de 2004, uma vara de
primeira linha custava algo de U$500,00 e hoje beira a casa dos
U$800,00.
Tem ainda os
fabricantes de varas que desconhecem, ou não usam os padrões
internacionais e produzem varas sem a relação peso/potência correta.
Por exemplo, colocam uma vara # 6 no mercado, mas a falta de
critério na linha de montagem prejudica os lançamentos com a linha #
6 indicada pelo fabricante. Além disso, indicam que a vara possui
uma ação que também não corresponde aos padrões internacionais.
Nesses casos o flyfisher terá que experimentar várias potências de
linhas para achar qual melhor se adapta à vara e descobrir na
prática qual é a ação da “jóia”.
Avaliação
prática
Os fabricantes –
sérios - aplicam o padrão AFTMA nos primeiros 9,14 m de cada linha,
mas é preciso levar em conta que não são somente os 9,14 primeiros m
que exercem pressão sobre a vara, e à medida que o flyfisher vai
colocando linha para fora da ponteira o peso aumenta gradativamente,
exigindo cada vez mais a resistência da vara.
Utilizando uma
balança de precisão auferida pelo IMETRO pesei os primeiros 9,14 m
da linha WF F # 3, modelo Wind Cutter fabricada pelo Rio Products, e
constatei que confere com a capacidade de resistência padronizada
para a vara # 3. Mas ao pesar a linha toda foi verificado o peso de
22.9 g o que equivale a 354,2 grains.
Assim, quando (e se)
o flyfisher colocar os 27,43 m (90’) de linha para fora da ponteira
da vara # 3, para fazer o lançamento, a carga sobre ela será
equivalente ao peso dos 9,14 primeiros metros de uma linha # 11, ou
seja, 354,2 grains. Isso mostra que a vara # 3 foi construída para
suportar pressão extrema já incluída no padrão AFTMA.
Conclusão
Diante desse fogo
cruzado patrocinado por alguns fabricantes de linhas, de varas e de
produtores de contra-informação, é necessário que o candidato a
Flyfisher pleno fique atento e busque pessoas idôneas que possam
oferecer a garantia de formação e informação correta.
E como disse Mario
Quintana:
“O
autodidata
é
um ignorante por conta própria”.
Educação
continuada pós graduada
O tempo investido em
pesquisa através de revistas especializadas, CD-ROM, DVD e sites são
essenciais para a formação correta do Flyfisher. O dinheiro
investido em cursos é, na verdade, um tremendo investimento em si
próprio, e o conjunto dessas ações resultam no completo
aproveitamento da pratica do Flyfishing.
Recomendo ainda a leitura das matérias sobre
linhas e varas, disponíveis nos links:
http://www.flyfishing.com.br/html/pesca_brasil/linhas_para_flyfishing.htm
http://www.flyfishing.com.br/html/pesca_brasil/varas_flyfishing.htm
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