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STEVE RAJEFF
O melhor entre os melhores

Tradução: LF Pinheiro
Matéria gentilmente cedida pela AAPM - Asociación Argentina de Pesca com Mosca

“O recorde mundial de arremesso pertence a Steve Rajeff que lançou a uma distância de 248 pés (algo próximo a 76 metros) com vara de mão única. A proeza foi realizada em outubro de 1996 em Pretoria, África do Sul”. Esta notícia mexeu com o mundo do flyfishing.

De lá pra cá Steve tem assombrado o mundo do flyfishing com freqüentes quebras de recordes e mais que isso, com a quantidade de vezes que vence os eventos dessa natureza.

Sorte? Com certeza seu sucesso não tem nada a ver com sorte, mas com orientação correta e muito treino, dedicação e domínio da melhor das técnicas.

O campeão gosta de quebrar seus próprios recordes, mas gosta mais ainda de ensinar a pescar com mosca. Enfatiza que os campeonatos de arremessos contribuem para a melhoria da técnica e também da qualidade dos nossos equipamentos, mas que para pegar peixes é preciso ter precisão no lançamento. Modalidade essa em que ele também é campeão.

Como instrutor mestre da Federation of Fly Fishers – FFF – desde 1997, Steve segue os mandamentos da instituição para que o esporte seja ampliado em todo o mundo de forma correta.

Steve Rajeff em 04 de agosto de 2003, ganhou a 28ª Prova do campeonato nacional americano realizado no seu antigo clube o San Francisco Golden Gate. Na ocasião o arremesso atingiu “só 236 pés”.

Assim dá provas que a idade ainda se constitui problema para ele e promete mais pressão nos próximos eventos.

A matéria abaixo mostra claramente como Steve se preparou ao longo da vida para chegar onde está e permanecer.

 

STEVE RAJEFF
O melhor entre os melhores

Matéria gentilmente cedida pela Asociación Argentina de Pesca com Mosca – AAPM – na pessoa do atual presidente Sr. Carlos Villaggi.
Tradução: LF Pinheiro

No início da temporada fomos surpreendidos com a visita de Steve Rajeff, trazido pela G Loomis, que percorreu todo o país fazendo demonstrações de arremesso e nos brindando com seu conhecimento.  Além de ficarmos maravilhados com a técnica, na demonstração organizada por nossa Associação no Buenos Aires Golf Club, ainda tivemos tempo para fazer essa entrevista, que cremos ser interessante.

Agradecemos a Nicolas Cafaro pela realização desta matéria e a Alejandro Kohner pela tradução.

O melhor entre os melhores

 

Onde nasceu?
Nasci em San Francisco, Califórnia, em 26 de Outubro de 1956 e cresci perto do Parque Golden Gate, onde está o famoso Clube de Pesca e Arremesso Golden Gate.

Quando começou a pescar?
Comecei a pescar aos cinco anos em um pequeno rio, quando meu pai me levava para as montanhas. Eu pescava com minhocas vermelhas e pegava algumas trutas pequenas. Quando tinha sete ou oito anos, comecei a notar que no mesmo rio os pescadores com mosca pescavam mais que eu. Por isso decidi aprender a pescar com mosca e antes dos dez anos já arremessava minhas moscas.

 

 

O arremesso do campeão Equipamento utilizado Selecionando a vara Formando público novo

Como começou a participar em torneios?
Comecei a arremessar aos dez anos de idade. Tive minha primeira lição com um dos membros do clube que havia começado um ano antes.  Esse homem era Mel Krieger. Mel me recomendou começar a participar em torneios porque isso me ajudaria a arremessar melhor. “Se pode acertar os alvos, quando você for pescar poderá colocar a mosca muito próxima do peixe. Assim, vai pegar mais peixes, disse Mel.” No primeiro torneio que participei tive uma pontuação muito baixa e não queria mais prosseguir. Então Mel me disse para dar mais uma chance para os torneios. Duas semanas depois participei em outro torneio e ganhei. Ganhei, inclusive de Mel, no evento chamado “Dry Fly Accuracy”.  Isso foi o que realmente me levou a participar de torneios importantes de arremesso, que por sua vez me levaram a desenhar e projetar varas e a um montão de pescarias que já fiz em minha vida. Em 1970 (aos 14 anos) comecei a ensinar fly casting com Mel Krieger.

Nota do editor: Steve se esqueceu de mencionar, por humildade, que em sua carreira já foi 13 vezes Campeão Internacional “All Round Casting” 24 vezes Campeão Americano “All Round Casting” e que é o melhor lançador em competições da história do Flyfishing. Atualmente é diretor de desenvolvimento de produtos da G Loomis.

Nota do tradutor: Depois dessa matéria, feita em 2002, Steve já ganhou outros torneios e campeonatos.

Qual é seu segredo para ganhar tantos torneios e campeonatos?
Quando eu estava aprendendo a arremessar, queria aprender a técnica, a técnica absoluta. Depois, me tornei mais atlético treinando em academia. A combinação de uma técnica apurada e uma boa força física me permitiu ganhar o primeiro torneio aos dezesseis anos de idade. Na ocasião muitos dos competidores estavam ali por diversão e pelo evento em si, não tanto pelo troféu. Alguns dos competidores eram realmente sérios participantes em um ou outro evento, mas eu estava interessado em participar de todos os eventos. Rapidamente, nos anos seguintes, os participantes começaram também a treinar seriamente as técnicas de lançamentos e em academia. Nos meus anos de colégio eu treinava muito fisicamente e por outro lado tinha um lugar muito bom para praticar os arremessos, que era o Golden Gate Casting Club. Durante um período de quatro a cinco anos eu arremessava praticamente todos os dias e pode-se dizer que eu lançava trezentos dias por ano. Depois dos primeiros anos de participação em campeonatos, consegui adquirir uma técnica superior ao do resto do mundo e creio que foi isso que me fez distanciar dos demais competidores. Quero acrescentar que hoje reconheço que meus resultados nas competições estão ligados às horas que dedico ao treinamento.

Você está ficando velho...
(Risos) Sim, muito velho. A maioria dos arremessadores, que ganham, hoje tem idade entre 20 e 30 anos. E eu com 45 (atualizada: 47) anos é mais difícil ganhar uma competição internacional. Os jovens de hoje estão se dedicando como eu me dedicava há vinte anos.

Como se deve balancear a técnica com a capacidade atlética?
Primeiro você tem que aprender a técnica correta, qual é a parada correta, o tiro correto, a forma correta do loop, etc. Eu tinha um amigo, um velho arremessador, com o qual aprendi a técnica e que me dizia: “Steve, este é o melhor nesse evento, aquele é melhor em outro, observe-os e aprenda com o que fazem”. Eu observava e depois dedicava tempo ao treinamento e a provar minhas idéias.
Resumindo, nos primeiros anos de competição 80% dos resultados dependem da técnica. À medida que você vai assimilando a técnica começa a influir a capacidade atlética e o treinamento.

Em sua demonstração vimos arremessar com varas de grafite. Existe alguma competição onde se use equipamentos antigos, como por exemplo, varas de bambu ou de fibra de vidro?
Em San Fracisco meu antigo clube tem, uma vez por ano, duas competições onde se usam exclusivamente varas de bambu. É uma das poucas competições que eu conheço para esse tipo de vara. Atualmente ninguém usa varas de bambu para competições profissionais, todos usam varas de grafite. Porém, o que é bonito nesses eventos – com varas de bambu – é que as pessoas se vestem com roupas antigas e inclusive arremessam com linhas de seda.

Qual é a diferença no projeto de uma vara para arremessar a distância e uma vara para obter precisão de lançamento?
O projeto da vara está dividido em duas partes: uma é a ação que lhe é dada pela conicidade (taper) e a outra é a dureza do material com que foi construída. Numa vara de precisão a ponteira começa com um menor diâmetro e uma conicidade suave, que permite sentir a vara, como é acionada, como carrega e como se dobra. Nas varas de distância normalmente cometamos com ponteiras mais rígidas e de diâmetros maiores. O que fazemos é tirar um pedaço da ponteira para ter um butt mais duro.
A ação da vara é determinada pelo ponto onde se flexiona. Quando dobra somente na ponta é uma vara de ação rápida, se dobra na metade é uma vara de ação média (progressiva) e se dobra na base é uma vara de ação lenta. Cada pessoa aprende a sentir qual é a vara que mais lhe convém. Porém eu creio que para as competições a eleição deverá ser para uma vara de ação média ou rápida; mas não de ação extra rápida, porque isso não permite sentir a vara e fazer um bom arremesso.

Que tipo de vara você recomenda para pescar, em rio de médio e pequeno porte, com mosca seca?
Em um rio onde o lançamento não exigi mais que dez metros, elegeria uma vara com 8’ de comprimento. Porém, se tivesse que arremessar mais que dez metros, usaria uma vara com 9’ de comprimento. Se a pesca permite o uso de moscas bem pequenas, uma vara # 3. Se a pesca permite o uso de mosca de tamanho médio ou ninfas, sugiro uma vara # 5. Raramente uso uma vara # 4 e geralmente nessas situações uso uma vara # 3 de 8’. Se estiver pescando usando float tube ou vadeando em cursos amplos, uso uma vara # 5 com 10’ de comprimento.

Você disse, durante a demonstração, que as linhas para arremesso à distância tem um desenho especial. Poderia explicar isso melhor?
Durante muitos anos usamos linhas especialmente desenvolvidas pela Scientific Anglers – 3M. Colaborei com esse projeto no início da década de l980 e por vinte anos, em todo mundo, foram usadas as mesmas linhas. Recentemente, ha um ou dois anos, (por volta do ano 2000) a Airflo está fabricando as mesmas linhas na cor laranja para facilitar a visualização. As linhas para arremesso à distância são do tipo Shooting, mas muito finas e muito mais compridas que as que se usa para pescar, aproximadamente uns quinze metros a mais. Esta é a linha que se usa em campeonatos mundiais de arremesso à distância.

Quais são as características das varas GL3 e GLX que projetou para G Loomis?
No projeto de varas podemos distinguir vários componentes e um deles, creio o mais importante, é o formato da ação. A GL3 é uma vara mais dura desde o início e com um formato mais grosso, mais cônico. Já a GL3 é uma vara progressiva e com uma conicidade menor, mais fina, que nos permite, pelo seu formato, tanto arremessos curtos como longos. Com a GL3 começamos a sentir que funciona bem a partir dos dez metros de linha para fora da ponteira, e para arremessos curtos não é tão agradável.

Treinando A lenda em ação Treinando para ser o melhor

Qual o tipo de pescaria que mais lhe agrada?
Pescar bonefish e permit com mosca nas Bahamas.  Gosto muito desse tipo de pesca e mais ainda por ser nas Bahamas, onde é possível caminhar pelos flats, o que faz a pesca ser ainda mais atrativa. É possível caminhar sem botas, de bermudas e carregando uma pequena caixa com moscas. Isso é lindo, maravilhoso e que o falta são as montanhas. Esse é o único problema de pescar bonefish, não ter montanhas. Também gosto muito de pescar steelheads.

Pratica algum outro esporte ou hobby, além da pesca?
Gosto muito de esquiar e hoje em dia esquio cinco ou seis dias por ano. Antes esquiava muito mais. Também gosto de fotografia, mas como agora tenho tantos compromissos com a pesca, em água doce e salgada que pescar é que mais faço.

A Asociación Argentina de Pesca com Mosca – AAPM - agradece especialmente a G.Loomis, representada por Andrés Morenza, e ao Buenos Aires Golf por ceder suas imponentes instalações para as demonstrações de arremessos.