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CURURU
AQUI TEM MUITO PEIXE
Por:
LF Pinheiro
Fotos:
LF Pinheiro e Pelado
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A pousada Thaimaçu está localizada no sul do Pará e faz parte da recém formada reserva biológica que inclui o rio S. Benedito e seus afluentes. É um lugar extremamente privilegiado e de beleza ímpar. |
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É nesse lugar incomparável que a pesca esportiva é praticada dentro do mais alto estilo, ou seja, em contato visual com os peixes. Pescar-e-soltar é obrigação e não uma opção, ainda que praticada com iscas naturais, as quais devem ser trazidas de outros locais, uma vez que lá não é permitida a captura para essa finalidade. |
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Eventualmente um peixe, dentro do tamanho mínimo, pode ser consumido no local onde a pescaria está acontecendo. Isso é sem dúvida um capítulo a parte, pois quando se aproxima a hora do almoço o piloteiro avisa: está na hora de pegar a comida. Capturado o peixe, somos levados para a selva, num lugar previamente escolhido, onde o
peixe é limpo, temperado, assado e comido como uma iguaria e, em seguida podemos tirar uma sonega a sombra de árvores que compõem a verdadeira selva amazônica. |
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Minha viagem, no início do inverno de 2001, tinha como propósito concluir a fita de vídeo com ensinamentos básicos de fly e, não poderia haver lugar melhor para incluir no roteiro. Tudo ocorreu tão bem, que do tempo previsto de cinco dias para conclusão do trabalho, só necessitamos de três dias. Ou seja, tive dois dias inteiros para pescar por divertimento, só eu e o piloteiro de apelido “Pelado” que conhece o rio Cururu como a palma da sua mão. |
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Para ser muito franco, eu não tinha visto até então nenhum outro rio com tanto peixe por metro quadrado, principalmente cacharas. O fundo do rio, sem nenhum exagero, parecia estacionamento de supermercado no final do mês. O rio Cururu tem águas limpas e corredeira suave e por isso minha pescaria foi tremendamente facilitada. Os arremessos eram feitos – no visual - junto ao exemplar escolhido para fisgar. |
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Como minha experiência com trairões até então era pequena, aproveitei a situação para ampliar meus conhecimentos com essa espécie, usando uma mosca que imita uma tuvira, atada com pele de coelho, nas cores marrons e grizzly. A vara Thomas & Thomas modelo PA #10, com uma linha Rio Deep Sea 500, enrolada numa carretilha Waterworks/Lamson,
ULA Force me deram confiança e tranqüilidade durante os vários combates que se seguiram. Todos os trairões fisgados foram embargados e evidentemente soltos. |
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A habilidade do Pelado em conduzir o barco com um remo de madeira, feito por ele próprio e carinhosamente chamado de “quarentão”, pelo tamanho exagerado da pá, colocava-me na distância certa e sempre com luz a favor, permitindo colocar as moscas, literalmente, no focinho do peixe. O ataque do troglodita é violento, do tipo “entrar para matar” e quando percebe que foi fisgado, o trairão dispara velozmente colocando a linha sobre o lombo, na procura de um enrosco para se livrar do engodo. Neste momento, se o pescador bobear, alguma coisa no equipamento irá quebrar. |
A cada peixe fisgado a confiança do Pelado em mim ia aumentando, afinal o fly ainda é visto com reserva, e como todo piloteiro experiente, ele reserva “pontos ajeitados” para pescadores mais experientes. E assim ele ia me levando para lugares com exemplares variados e de bom tamanho. Em um desses pontos, na saída de um afluente do Cururu Mirim, vimos uma cachara grande, de respeito, com nadou mansamente, sem se preocupar com nossa presença, buscando águas mais profundas do rio. Nossos cálculos estimam o espécime em torno de 60kg e, infelizmente não houve tempo de fazer um arremesso para tentar a sorte.
Quase ao final da tarde do mesmo dia, em uma curva que forma um poço não muito profundo vimos uma bicuda também de respeito, mas esta ao perceber a embarcação “ligou o turbo” e desapareceu rio abaixo.
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Nos lagos e pequenos afluentes eu estava usando uma vara Thomas & Thomas modelo Vector # 7, com linha Rio Wind Cutter, auxiliada por uma carretilha Waterworks/Lamson ULA Force e com este conjunto fisguei quatro tipos diferentes de tucunarés, bicudas, matrinxãs, pacus prata, pacus borracha, jacundás, piranhas prata e chupita. |
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As moscas que apresentaram os melhores resultados foram o Thaimaçu Streamer, nas cores branca, marrom, verde e preta e a Preferida. Estas moscas foram criadas por mim para pescar nesses rios e o nome Preferida foi dado pelo Pelado, o piloteiro, pois foi a mosca que capturou a maioria dos peixes. Para os pacus, na batida, o melhor resultado foi obtido com a mosca criada pelo Gregório, feita com pelo de carneiro, na cor amarelo claro.
Para ver a receita da Preferida
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Para ver a receita da Hair Ball
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A diversidade de aves ultrapassa a uma centena, o que por si já constitui um programa espetacular, que exige binóculos e câmeras com lentes possantes para melhor observação. Para o pescador mais atento a mata reserva belas surpresas com flores exóticas e de colorido pouco conhecido. Em meio ao cenário único, com fauna exuberante e abundante, cruza-se rotineiramente com jacarés enormes, antas, ariranhas, veados, macacos, porcos do mato, jibóias e eventualmente com onças. |
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Com tudo isso, mais a variedade e quantidade de peixes, ainda pode-se contar com boas acomodações, excelente comida e um pessoal treinado pessoalmente pelo proprietário da pousada, Sr. Carlos, para oferecer conforto e segurança ao pescador. |
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Não posso deixar de mencionar um doce feito pela Dona Eunice, chamado “pé-de-moleque”, é uma coisa deliciosa, o melhor que já comi em toda minha vida. E só de lembrar minha boca se enche de água. Após o jantar eu apanhava “uns quantos” pés-de-moleque e ia para a beirada do rio, apreciar o luar e o firmamento que parecem estar ao alcance da mão. Ali, sob a luz das estrelas e o canto das águas do rio eu agradeci a Deus por me haver levado àquele lugar maravilhoso. |
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Minha única decepção fica por conta de não haver visto um só sapo, - Bufus Marinus - ainda que pequenino, no rio que leva o nome do batráquio; quem sabe em outra época eu consiga ver o cururu. |
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Foto cedida pelo Zoológico de SP |
Para ler "Thaimaçu: de volta ao paraíso"
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