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PESCANDO COM FLY NO PARAISO
 

Por: LF Pinheiro
Fotos: LF Pinheiro

A  pescaria desta vez foi em San Martin de Los Andes, na Patagônia argentina, uma cidade que parece ter saído dos roteiros de Hollywood. Localizada entre montanhas de cumes nevados e circundada por lagos e rios de águas cristalinas repletos de trutas, a pequena cidade está muito bem preparada para receber os turistas que para lá vão esquiar e pescar. Com ruas e jardins bem cuidados e  floreiras por quase todos os lugares,  a charmosa San Martin inspira paz e tranqüilidade ao visitante que vem das cidades agitadas e nervosas.

Truta no lago LologA temporada de pesca tem início na segunda quinzena de novembro e vai até o mês de abril, por isso, para pescar agora foi necessário uma licença especial e mesmo assim, durante a nossa permanência, fomos observados de perto pelos guarda-parques. Saímos, apoiados por guias conhecedores da região, em busca das trutas  que transformaram a Patagônia argentina no melhor lugar de pesca do mundo.

Do lago Lolog nasce o rio Quilquihue e foi nesse rio que a diversão começou. Como não podia deixar de ser, a ansiedade toma conta até do mais experiente pescador ao se deparar com a beleza do lugar. Além disso, de cima da ponte pode-se ver as trutas procurando alimento em meio as águas translúcidas,  e é ai que o coração bate mais forte em função do aumento repentino de adrenalina na corrente sangüínea. Porém, não foi tão fácil fisgar uma truta marrom como parecia a princípio, pois o volume de água nessa época do ano está acima do normal e o nível de dificuldade é maior para pescar. 

Amanhecer no QuilquihueNo final do dia, ainda com luz do sol, saímos do rio com um sorriso largo  e a sensação do “dever cumprido”  pois afinal, a  emoção de pescar com fly não pode ser comparada a nenhuma outra maneira de pescar. Há quase dez anos venho me especializando nesse estilo, e posso garantir que nenhuma  das outras modalidades que pratiquei por mais de trinta anos me satisfaz tão plenamente como o fly. As possibilidades de arremesso são infindáveis, permitindo que a isca (mosca) possa ser  trabalhada em todos os lugares do rio, buscando o mais esperto dos peixes de água doce: a truta.

Na manhã ensolarada do dia seguinte navegamos pelo  Lolog arremessando as moscas em pontos onde as águas vindas do degelo nas montanhas encontrava as águas do lago com profundidade abissal, onde há lugares com mais de 450m de profundidade. Aqui e ali fomos fisgando trutas marrons, arco-íris e fontinalis com peso médio de 1kg e 200gr, no entanto, foi em um baía que fisguei  uma  linda truta arco-íris prateada, a primeira dessa espécie em  minha vida, lutadora e saltitante. Continuamos pescando até o final da tarde em meio a bela paisagem andina, onde a fronteira com o Chile está próxima e é feita pela cordilheira que acompanha o lago. Por orientação do Eduardo, nosso guia, saímos do Lolog após mais um dia “duro” de trabalho, antes de escurecer para evitar a baixa temperatura que chega com a noite.

Truta no lago LologAo contrário do que muita gente imagina, na Patagônia argentina a pesca pode ser praticada com molinete e carretilha, além do fly. Contudo, somente iscas artificiais são permitidas e há locais em  que é exigido  o uso de anzóis sem farpa e, é claro, existem pontos onde só o fly é autorizado. Os nossos vizinhos são bastante cuidadosos com a prática desse esporte, uma vez que o faturamento com o turismo de pesca só fica abaixo dos esportes praticados na neve.

Se você  deseja levar a família em sua próxima viagem de pesca não se preocupe, em San Martin de Los Andes há divertimento para todos e em qualquer idade: esportes de neve, tracking, cavalgadas,  bike, escaladas, passeios maravilhosos por bosques milenares e observação de pássaros e animais como cervos e javalis. Nossa viagem foi a convite da Secretaria de Turismo de San Martin de Los Andes, através do Secretário de Turismo, Sr. Raul Pont Lezica.