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VARA ZERO e NOTA DEZ
Por:
LF Pinheiro
Fotos:
LF Pinheiro
A
primeira vez que eu a vi no catálogo, fiquei imaginando como
seria divertido fisgar lambaris, pequenas tilápias, e quem sabe,
até pirapetingas e trutinhas. Mesmo com as informações
detalhadas sobre capacidade e potência contidas na página,
as indagações sobre performance são inevitáveis,
bem como comparação com a vara 2 que é mais próxima
que eu possuo. Escolhi o modelo que mais me agradava e esperei que ela
chegasse.
Quando recebi a encomenda, fui abrindo o pacote devagar, e mesmo já
sabendo o que continha não podia controlar a ansiedade. Foi aí
que eu me lembrei de um dito popular que diz "sabe-se a idade da criança
pelo valor dos brinquedos dela" , e entendi todo o significado da frase.
Em um tubo revestido com canvas e internamente todo forrado, dentro
da capa estava a minha Sage #0 SPL CA, em três partes, do jeitinho
que eu havia pedido. Tudo certinho, nada quebrado. Ao montar a vara
fui observando o acabamento primoroso, o encaixe perfeito e a leveza
do equipamento. O primeiro impulso foi o de sair e ir para a praça
onde habitualmente treino arremessos, mas então ponderei e decidi
que a estréia deveria ser em alto estilo, afinal a vara era um
novo marco na história do fly e na minha vida.
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Onde estreiar a "jóia"? Com lambaris, com tilápias, com
trutas? Que dúvida cruel. A única coisa que eu tinha certeza
é que deveria ser o mais rápido possível, e já
tinha tomado a decisão quando chegou a confirmação
do convite para participar do IV Congresso de Pesca Esportiva e Manejo
de Salmonídeos, em Bariloche, na Patagônia Argentina. Sem
dúvida nenhuma esse é o lugar para estreiar a vara #0
em grande estilo, agora era só controlar a ansiedade e aguardar
o momento.
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Ao longo dos anos adquiri algumas varas especiais e tenho por elas muito
carinho e cuidado, pois me proporcionam divertimento e são ao
mesmo tempo, um grande desafio para o aprimoramento das técnicas
do fly casting. E por antecipação, eu já sabia
que a vara #0 iria me ensinar muita coisa. Para a viagem, a "jóia"
seria levada em um estojo de couro, no lugar do estojo original, por
medida de segurança e, também para fazer dupla com a Walton
Powell #6 que me acompanha nessas ocasiões.
Depois do Congresso, do exame para capacitação internacional
como instrutor da Escola de Mel Krieger, é chegado para mim o
grande momento, pinchar com a "jöia" e quem sabe, até fisgar
umas trutinhas? Todas as pessoas para as quais eu mostrei a vara #0,
ficaram surpresas e admiradas. Foi o meu amigo Baruzzi que sugeriu o
rio Pitileufú para a avant-premier, uma vez que é um rio
de pouca largura e com trutas de até um kilo de peso. Quando
já estávamos prontos para entrar na água, ofereci
a vara #0 para o Baruzzi, e após muita insistência minha,
aceitou sob a condição de que faria os arremessos da margem,
deixando que eu fizesse os arremessos de dentro d'água. Meu amigo
engata uma truta marrom de aproximadamente umas 300 g e com um sorriso
diz que a vara está aprovada. Agora é minha vez e no tippet
7X amarro uma Adams atada em anzol 22 e faço o arremesso rio
acima, há uns 15 metros de distância, para deixar a mosca
descer na superfície.
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Não demorou e a arco-íris entrou bonito e ao ser fisgada começou a
saltar de um lado para o outro, proporcionando o belo espetáculo.
Depois de soltar a trutinha, pude finalmente
avaliar a performance da vara #0 com correções
aéreas, roll cast e distância.
A nota dada para a vara #0 já está no título deste
artigo. A propósito, só parei de pescar umas duas horas
depois, quando não havia mais luz para enxergar a mosca na superfície.
E lembre-se que pescar e soltar é o melhor presente para seu
amigo. |
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